Para ex-engenheiro da Apple, empresa se tornou “chata” e totalmente diferente da que ele conhecia

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Tim Cook comemorando o bilionésimo iPhone vendido

Desde que assumiu a Apple, Tim Cook obteve um desempenho financeiro incrível. Sob a sua administração, a Apple se tornou a empresa mais valiosa do mundo (valor de mercado), faturando uma montanha de dinheiro jamais imaginada na época em que Steve Jobs era o executivo líder da Maçã (US$108,2 bilhões em 2011 vs. US$215,7 bilhões em 2016).

Tim Cook comemorando o bilionésimo iPhone vendido

Tim Cook comemorando o bilionésimo iPhone vendido

Por outro lado, boa parte desse sucesso vem do iPhone, um produto idealizado e concebido na gestão de Jobs. Cook, de acordo com alguns, fez simplesmente o que sabe fazer melhor: cuidou das operações para que um ótimo produto conseguisse chegar ao máximo possível de usuários. Por essas e outras, alguns (como o empresário Steve Blank) gostam de comparar a sua gestão com a de Steve Ballmer.

Ballmer substituiu Bill Gates como CEO da Microsoft e triplicou as vendas da empresa. Contudo, sob a direção de Ballmer, a companhia perdeu oportunidades importantes para manter/estender o domínio do seu software (principalmente no mundo móvel), deixando todo esse terreno para Apple, Google, Facebook (mercado de pesquisas) e Amazon (nuvem).

Bob Burrough, ex-engenheiro da Apple, faz coro com Blank. E vai além: para ele — conforme divulgou a CNBC —, a Apple de hoje é “chata” e se tonou uma “empresa de operações”.

Na opinião dele, a organização da Apple em 2007 (sob o comando de Jobs) era uma bagunça, um “Velho Oeste”. Ele, por exemplo, foi contratado como gerente especificamente para cuidar de uma coisa, mas durante os dois primeiros anos só trabalhou em projetos que praticamente não tinham nada a ver com as responsabilidades relacionadas à gerência. Isto, ainda segundo ele, aconteceu pois a organização não era a prioridade; o que importava era o projeto.

Era exatamente o oposto de “isso não é o meu trabalho”, algo como “eu estou aqui para resolver qualquer problema que aparecer, independentemente do meu cargo ou a quem eu respondo”. Era difícil? Sim, mas para Burrough, a gratificação era ainda maior por você realmente causar impacto sobre o determinado produto no qual estava trabalhando.

Executivos da Apple

Da esquerda para a direita: Phil Schiller, Tony Fadell, Jony Ive, Steve Jobs, Scott Forstall e Edy Cue

Hoje, isso mudou. Segundo Burrough (que também trabalhou sob o comando de Cook), a dinâmica na empresa está clara e distintamente diferente, se parecendo muito mais com o trabalho que ele fez na Palm. Lá, as esquipes eram altamente organizacionais (respeitavam uma hierarquia), com as responsabilidades bastante organizadas. “Havia uma clara sensação de que cada pessoa tinha uma clara responsabilidade e raramente se desviava dela.” Quando você buscava a ajuda de alguém para resolver algum problema, por exemplo, a resposta “isso não é meu trabalho” era bastante comum.

Burrough utilizou a demissão de Scott Forstall, até então chefão do iOS, como um exemplo claro da sua teoria. Segundo ele, na administração de Jobs surgiram diversos conflitos por conta da preocupação das pessoas com o produto. E, muitas vezes, são esses conflitos que fazem a roda girar e vermos produtos como o iPhone sendo criados. Administrar esses conflitos, essa competitividade que existe entre pessoas e equipes, porém, não é uma tarefa simples.

@Mbrawler Pergunta: se o conflito vem de se importar com um produto e Tim Cook elimina o conflito, será que Tim Cook eliminou o se importar [com o produto]?

Jobs, apesar de instigar esse ambiente, o controlava de uma forma única. A prova disso está justamente na demissão de Forstall.

Errado!!! Nunca houve uma competição. Nós, juntos, estávamos procurando a melhor solução. Steve nos pediu para testar todas as possibilidades…

Rebatendo essa afirmação de que Jobs instigava a competição, uma certa tensão interna, Fadell afirmou que isso não passa de história e que o ex-CEO não promovia tal coisa dentro da empresa. Só que a demissão de Forstall, como disse, mostra que não é bem assim.

Quando o executivo saiu da Apple, vimos diversos relatos de conflitos (um deles justamente com Fadell; outro com Bob Mansfield). Apesar de o clima entre eles aparentemente não ter sido nada bom, tais executivos conseguiam trabalhar debaixo de um mesmo teto sob a administração de Jobs — e o resultado foi justamente a criação de produtos incríveis.

Jobs explicando por que a tensão, o conflito e a competição interna — se usados da maneira correta — podem ser benéficos.

Por outro lado, sabemos que Cook é completamente diferente de Jobs e não faz sentido nenhum ele querer administrar a empresa da mesma forma que seu antecessor.

Será que Burrough tem razão ao afirmar que a Apple virou uma empresa operacional “chata”? Sem dúvida nenhuma Cook ainda tem alguns anos para mostrar serviço no comando da Apple. E temos à frente umas batalhas interessantes nas quais a Apple deverá mostrar o seu valor, como no campo da inteligência artificial, em veículos autônomos, realidade aumentada, entre outras.

[via Patently Apple]

ver Mac Magazine
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