Nova classe de cartões SD será mais amigável para instalação de apps

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Hoje em dia, quando pensamos em armazenamento externo em smartphones consideramos apenas o cenário mais básico, o de utilizar os cartões micro-SD apenas para guardar fotos e músicas, entre outras coisas. Nós nunca fomos muito fãs de utilizá-los para instalar apps neles por um simples motivo: a performance sempre foi uma boa porcaria independente da qualidade do cartão.

Isso diz respeito às classes dos cartões: não importa se ele estampa um suculento Classe 10 em seu corpo, isso diz respeito apenas à velocidade de gravação sequencial mínima em um worst case scenario.

Cartões mais modernos, os de classes U1 e U3 atingem velocidades maiores (o U1 equivale ao Classe 10, já o U3 atinge um mínimo de 30 MB/s), mas é o barramento quem faz toda a diferença. Um Classe 10 deve utilizar no mínimo barramento High Speed (o que garante um mínimo de 25 MB/s) mas se tiver barramento UHS-I, esse valor gira entre 50 e 100 MB/s. Com barramento UHS-II os números ficam entre 156 e 312 MB/s, o que é bastante coisa. Um cartão U3 UHS-II costuma custar bem caro por conta dessa qualidade na transferência de dados, o que os torna atraentes para profissionais (não necessariamente fotógrafos, como já discutimos aqui).

A coisa muda de figura quando o assunto é utilizar cartões como uma mídia externa para a instalação de apps e programas. Mais importante do que a velocidade de gravação, o fator determinante para garantir uma performance decente é um valor alto de IOPS (operações de entrada e saída por segundo), a quantidade de operações por segundo que ele é capaz de executar, sendo leitura e escrita paralelamente.

Para se ter uma ideia um HD de 7.200 RPM clássico como o Barracuda ST2000DL003, com 2 TB de armazenamento (meu disco de backup principal) alcança um número entre 75 e 100 IOPS enquanto o mais básico dos SSDs, como o V300 de 120 GB da Kingston atinge 55.000 IOPS de escrita e fenomenais 85.000 IOPS de leitura.

Entendeu agora por que um PC com um disco de estado sólido (os demais são feitos de paçoca) dá boot no sistema em um piscar de olhos?

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É por isso que os cartões de hoje, qualquer um deles é péssimo para a instalação e execução de apps: a quantidade de IOPS que eles são capazes de realizar é muito baixa. Pensando nisso a SD Association está introduzindo uma nova categoria de cartões, chamada Application Performance Class. Dentro dela a primeira classe de cartões, denominada A1 garante velocidade mínima de escrita sequencial de 10 MB/s e números mais decentes em operações de entrada e saída: 1.000 IOPS de leitura e 500 IOPS de escrita.

O motivo é simples: há uma série de smartphones com pouco armazenamento interno que poderão ser beneficiados com a utilização de cartões para a instalação de apps, sem que a performance como um todo seja prejudicada. Como o Android 6.0 Marshmallow passou a considerar os cartões como armazenamento adicional, a SD Association está propondo que os cartões funcionem como pequenos SSDs para que não percam tanto em comparação à memória interna, ainda que os números não cheguem nem perto. Mas já é um começo.

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Um efeito colateral muito interessante: embora voltados para smartphones os novos cartões serão muito bem recebidos pela cena maker, principalmente pelos donos de micro-computadores (termo que não faz mais sentido, mas enfim…) como o Arduino, o CHIP ou o Raspberry Pi, dispositivos que dependem do cartão SD como unidade de armazenamento principal. Ter uma nova categoria que permita maiores velocidades de operações por segundo resultará em um ganho de performance considerável para esses dispositivos, o que será muito interessante.

Fonte: SD Association (cuidado, PDF).

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