IBGE: número de residências com computadores cai pela primeira vez em 11 anos

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Quem diria, os dois estão caindo em desuso globalmente

Não é de hoje que observamos o mercado de computadores encolhendo, ainda que num ritmo lento ele se mantém constante e sem perspectiva de recuperação. Agora o reflexo desse fenômeno foi detectado pela primeira vez no Brasil: o IBGE divulgou na última sexta-feira os resultados finais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, e além de constatar que a desigualdade no país está sendo reduzida com todas as classes sociais tendo ficado mais pobres (thanks Dilma, os dados são do período entre 2014 e 2015), o número de computadores caiu pela primeira vez desde 2004.

Detalhe: a pesquisa detectou aumento no número de pessoas acessando a internet no período.

Os números são bem claros: em 2015 o número de residências contabilizadas com pelo menos um computador (desktop ou notebook) no país foi de 31,4 milhões ou 46,2% do total, uma redução de 3,4% em relação a 2014 (48,5%). O número de computadores conectados à internet, que sempre foi inferior ao total por n motivos também caiu, de 42,1% para 40,5%. Além de haver menos casas com um computador, o número das que o mantém conectado está encolhendo.

Isso não quer dizer, no entanto que o acesso à internet no país caiu (o que não seria surpresa dados os últimos acontecimentos), pelo contrário: o IBGE registra aumento do número de cidadãos conectados em geral de 54,4% em 2014 (quando o total de brasileiros com internet ultrapassou a metade pela 1ª vez) para 57,5% em 2015. Importante lembrar que o IBGE só computa dados de pessoas com mais de 10 anos de idade, portanto esse número pode ser (e será) levemente maior.

Todas as faixas etárias registraram aumento, ainda que adolescentes entre 15 e 17 anos (82%) e jovens entre 18 e 19 anos (82,9%) sejam os maiores usuários, o grupo com o maior registro de crescimento foram entre os mais velhos, de 40 a 49 anos (de 54,4% em 2014 para 57,5% em 2015) e de 50 anos para cima (de 24,3% para 27,8%). Por gênero, as mulheres acessam mais: são 58% (aumento de 7,5% em relação a 2014) contra 56,8% dos homens (aumento de 6,6%).

O motivo é bem claro: o usuário comum não vê mais necessidade em um trambolho estático como um desktop ou uma máquina razoavelmente portátil como um notebook para suprir suas necessidades básicas (internet, e-mail, redes sociais, consumo de conteúdo) e preferem fazê-lo em smartphones e tablets. Os usuários estão até rodando games e/ou suítes de escritório (Office, iWork), ainda que a performance e usabilidade sejam inferiores nesses dispositivos pela simples vantagem da mobilidade.

O IBGE registrou um incremento de 2,5 milhões de brasileiros com telefone celular de 2014 a 2015 (inclui feature phones, mas sabemos que eles não são maioria); já somos 139,1 milhões com um dispositivo móvel no bolso ou 78,3% da população, um aumento modesto de 1,8%. Não obstante, o número de residências sem computador aumentou pela segunda vez seguida. O PNAD 2014 já havia detectado uma leve progressão desse cenário.

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2009/10: campanha da ASUS com uma japinha edificante ensinando a montar um PC. O tutorial ainda está no ar

Então o PC é passado? Não necessariamente: como já discutimos aqui o mercado pós-PC não significa o fim do computador pessoal (PC e Mac no mesmo balaio), e sim que o perfil do consumidor está mudando. Usuários comuns irão cada vez mais preferir um smartphone ou um kit tablet/teclado Bluetooth para resolver sua vida, enquanto o hard user continuará feliz com seu desktop ou notebook parrudo. Há diversos cenários em que isso se aplica, desde o profissional que precisa de um hardware potente para edição de vídeo, captura de áudio, modelagem 3D e etc. ao PC Gamer Master Race, que não abre mão de seu computador da NASA em hipótese alguma.

O fato é que o desktop ou o notebook não irão sumir, mas aos poucos eles caminham para um cenário onde se tornarão dispositivos de nicho: só quem realmente precisa vai ter um, os demais se virarão com os dispositivos móveis da plataforma que escolherem. A Microsoft pretende com o Continuum oferecer uma solução desktop utilizando apenas os smartphones Windows 10 Mobile, ainda que sem aplicativos x86. O Elite x3 da HP é um exemplo excelente.

Problem is, apenas para o mercado corporativo. O usuário final não é mais tão interessante nem mesmo para Redmond, que resolveu se concentrar nas empresas e profissionais. Eles e os gamers manterão os PCs e Macs vivos, ainda que numa menor (porém lucrativa) escala enquanto os demais continuarão com seus iPhones, iPads e Androids. E todo mundo feliz.

Fonte: IBGE.

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