Zuckerberg, delirante, diz que fanfics não afetaram eleição

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O Facebook se tornou um reduto de crianças-prodígio lacradoras politizadas, militantes contra a injustiça defendendo fracos e oprimidos e gente com respostas magníficas revertendo situações injustas e cruéis. Tudo mentira, claro. Mas não importa. Importa é lacrar, mostrar sua consciência social e ganhar likes, não necessariamente nessa ordem.

As fanfics viraram pequenas fábulas morais, são repassadas alegremente por gente que descobriu que rezar não é a única forma de não fazer nada e achar que está ajudando, dar like também.

Há fanfics positivas e negativas, na maior parte são puro exercício de ego mas algumas são criadas com fins políticos. A profissionalização das fanfics são as matérias falsas, não dos do Bem, como o Sensacionalista e outros sites, mas as que são apenas mentira, como a deputada que teria xingado o PM que matou assaltantes, a Venezuela que estaria com tropas na fronteira junto com forças russas prestes a invadir o Brasil, ou Trump que teria dito que brasileiros são… alguma coisa.

Essas notícias são repassadas com presteza pois ressoam fundo na câmara de eco. Rola um Viés de Confirmação, é algo que reforça a visão de mundo do sujeito, para que ele iria ser cético?

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A eleição nos EUA foi palco de muitas, muitas fanfics, ainda está sendo: os dois lados mentem descaradamente para defender suas causas, o que mostra que elas não são tão nobres assim. No Facebook as notícias falsas e fanfics são replicadas milhares de vezes mais do que as correções, e a grande reclamação é que ninguém faz nada.

Na grande caça às bruxas para descobrir como a candidata democrata com maior índice de rejeição da História perdeu a eleição agora sobrou para o Facebook. Críticos apontam para as notícias falsas, que teriam influenciado eleitores.

Mark Zuckerberg saiu em defesa de sua plataforma dizendo que é “loucura” a idéia de que pessoas seriam influenciadas por fanfics, e que o Facebook não tem como sair censurando esse tipo de post.

Ele está certo e está errado.

Está certo pois o Facebook não tem que exercer papel de censura, é inviável colocar gente pra monitorar todos os posts e pedir a certidão de nascimento da Nina, 7 anos, ou das crianças de 4 anos politizadas que choraram quando o Trump ganhou.

Por outro lado é extremamente irritante ver pessoas replicando bobagens, como o “mimimi Simpsons previram eleição do Trump”. Pior: cada vez que você manda um link explicando que a notícia é falsa, na melhor das hipóteses é ignorado, na pior, é xingado.

Pessoas reais são prejudicadas por fanfics: uma ganhou um processo umas semanas atrás depois que um grupo de feministas vegans começou uma campanha de difamação para tentar fechar o restaurante.

Veerender Jubbal é um jornalista canadense, Sikh que na época dos atentados de Paris foi perseguido e ameaçado de morte, tudo porque algum babaca pegou uma foto dele com um iPad e transformou em uma imagem vestindo um colete explosivo e segurando um alcorão.

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Em um mundo ideal haveria punição severa para quem CRIA esse tipo de mentira, e métodos automáticos de correção para quem espalha.

O que não funciona é negação. Zuckerberg está tirando o fiofó da reta ao dizer que fanfics não influenciam eleitores. O correto seria dizer que a influência é pequena, pois essas fanfics basicamente ressoam em câmaras de eco, mas que existe, existe.

As notícias reais, exageradas ou não são muito mais danosas a candidaturas, vide as denúncias de Assange e o vídeo de Billy Bush. E o Facebook é ótimo espalhando essas também. Quer dizer, nem todas visto que eles normalmente .

O grande problema é que Zuckerberg está dando um tiro no pé. Ao minimizar a influência do Facebook, para se livrar da culpa de ter ajudado a eleger Trump, ele está dando a entender que o Facebook não tem esse poder de convencimento todo.

Agora imagine um anunciante lendo isso.

Fonte: .

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