Terry Jones: um tributo ao eterno Python por toda a alegria

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O ator, comediante, roteirista, diretor e autor Terry Jones nos deixou no dia 21. Ele foi um dos fundadores do grupo de humor inglês Monty Python, ao lado de seus companheiros, Graham Chapman (o primeiro do grupo a falecer em 1989), John Cleese, Michael Palin, Eric Idle e o também diretor e cartunista Terry Gilliam, o único americano da turma.

Terry Jones

Seus companheiros de Monty Python lamentaram muito a partida de Terry Jones em várias redes sociais, mas a verdade é que ele finalmente pode ter o seu justo descanso. Terry Jones estava enfrentando desde 2015 uma doença horrível e rara, a FTD (Demência frontotemporal, ou DFT) que o impedia de falar, algo que deve ter sido realmente duríssimo para um comunicador tão espetacular quanto ele foi em vida.

Terry Jones nasceu em Colwyn Bay, País de Gales, mas sua família deixou a cidade quando ele tinha quatro anos, e se mudou para Surrey. Mais tarde ele foi estudar inglês em St. Edmund Hall em Oxford, mas acabou mudando de curso para o de história, no qual ele se formou. Foi lá que ele conheceu Michael Palin, com quem ele se apresentou pela primeira vez em 1964 com o Oxford Revue, para o qual os dois estavam escrevendo alguns quadros.

O talento humorístico da dupla era evidente, e os dois logo foram convidados por trabalhar na TV. Ao estrelarem juntos a série de comédia Complete and Utter History of Britain em 1969, Terry Jones ficou bem frustrado com a falta de controle, o que acabou sendo determinante para suas escolhas com o Monty Python.

Terry Jones se tornou o diretor do incrível programa Monty Python's Flying Circus, que entrou no ar em outubro do mesmo ano, e que apesar de produzido 50 anos atrás, é um humor atemporal, capaz de provocar muitas risadas até hoje. No vídeo abaixo, ele conta um pouco sobre as origens do nome do grupo.

Por muito tempo, os vídeos do Monty Python foram compartilhados com péssima qualidade, mas isso mudou 11 anos atrás, quando o grupo resolveu lançar um canal no YouTube, de onde saíram vários vídeos que ajudam a ilustrar este post e também a mostrar toda a genialidade de Terry Jones. Hoje em dia, você pode conferir o Flying Circus na Netflix, ou seja, melhor ainda do que no YT.

Nas palavras de Terry Jones, reproduzidas no obituário da BBC: "isso realmente me convenceu de que você tem que controlar tudo. Você não só atua nas coisas, você precisa começar a dirigi-las também." Também foi ele que incentivou o grupo a abandonar o formato clássico de piadas para tentar algo original e totalmente novo, que deu muito resultado.

Além de brilhar por trás das câmeras, Terry Jones também o fazia na frente delas, sendo o responsável por alguns dos momentos mais engraçados e hilariantes da história da TV e do cinema, alguns dos quais você pode conferir neste post. Agora falando de forma 100% pessoal, não tenho nem palavras pra agradecer ao Terry Jones por tudo que ele me proporcionou ao longo da minha vida.

Alegria pra mim é sinônimo de Monty Python, assim como os três filmes que ele dirigiu com seu grupo, Monty Python e o Cálice Sagrado (ao lado de seu xará Terry Gilliam) em 1975, o maravilhoso A Vida de Brian em 1979 e Monty Python - O Sentido da Vida em 1983 são verdadeiras pérolas de um tipo de humor britânico que vai durar para sempre, e felizmente estão disponíveis para quem quiser assistir e se deliciar (os dois primeiros inclusive também estão disponíveis na Netflix, e assisti-los é uma bela forma de relembrar o talento de Terry Jones).

Os três filmes de Terry Jones contam com cenas maravilhosas e realmente antológicas, que merecem ser vistas e revistas. O Cálice Sagrado foi o primeiro filme do grupo no cinema, e já foi um começo excepcional, com Cavaleiros que dizem Ni, o heróico Black Knight e a hilária música dos Cavaleiros da Mesa Redonda, isso pra não falar no Cavaleiro de Três-Cabeças, uma das quais era interpretada por Jones.

Neste vídeo, Terry Jones apresenta os outtakes e erros de gravação de algumas cenas clássicas do filme.

Os fãs de humor e de cinema puderam apreciar realmente o talento da direção de Terry Jones em A Vida de Brian, um filme tão à frente do seu tempo que até hoje está mais atual do que nunca, e nestes tempos de tretas, certamente iria despertar o ódio de muita gente com visão limitada, como aliás já fez nos anos 70. Sua interpretação como a mãe de Brian é realmente digna de muitos aplausos e risadas, e merece ser conferida.

Apesar de A Vida de Brian ser o meu favorito pessoal, não importa o quanto eu elogie O Sentido da Vida, eu nunca vou conseguir fazer justiça a este filme tão maravilhosamente bom, que procura responder em diferentes quadros às perguntas mais profundas da humanidade, sempre com um bom humor tão devastador quanto contagiante.

Terry Jones selecionou os 10 momentos mais hilariantes do Monty Python no cinema em uma matéria da Esquire publicada em 2015, quando O Cálice Sagrado fez 40 anos, que eu recomendo a leitura, e um dos destaques escolhidos por Terry foi a música Galaxy Song, também de O Sentido da Vida, que no filme é interpretada por Eric Idle com Terry ao seu lado como uma velha senhora com bobes no cabelo. Tudo bem que ele só reage a cantoria de Eric, mas sua interpretação silenciosa como a senhorinha é realmente fantástica.

Nas palavras de Terry Jones: "É uma música tão linda. Eu acho que é uma das melhores coisas que o Eric já fez. Era pra ter mais animações, mas o Terry (Gilliam) estava tão ocupado com outras partes do filme que acabamos usando mais dos trechos que eu tinha gravado por segurança."

Outra cena inesquecível citada por Jones na matéria é do mesmo filme, o desempenho explosivo de Terry Jones como o gigantesco Sr. Creosote, ao lado de um enjoado e enojado garçom vivido por John Cleese, e que você pode conferir abaixo.

O final da cena em que ele resolve aceitar mais um chocolatinho de menta é um dos melhores momentos de humor do cinema, mas só recomendo clicar abaixo se você tiver assistido ao filme.

Pra quem quiser ouvir a voz de Terry Jones, nada melhor que sua música Every Sperm is Sacred, também do filme O Sentido da Vida, em cuja cena reza a lenda ele teria gasto a maior parte do orçamento do filme, o que o resto dos Pythons só foi descobrir depois.

Terry Jones também foi o autor do roteiro de Labirinto, a Magia do Tempo, dirigido por Jim Henson em 1988, além de ter sido o principal responsável por David Bowie ter aceitado participar da produção, além de compor músicas inesquecíveis para a trilha sonora.

O curioso é que a sugestão do nome de Terry Jones para escrever o roteiro de Labirinto foi feita a Jim Henson por sua filha Lisa, que tinha acabado de ler o livro infantil Erik, o Viking, escrito por Jones. No vídeo abaixo, Terry Jones fala sobre o filme, e como teve sua inspiração para os personagens a partir dos desenhos de Brian Froud.

No ano seguinte ele dirigiu o filme As Aventuras de Erik, o Viking, com Tim Robbins e John Cleese no elenco. Na foto abaixo ele pode ser visto caracterizado como o Rei Arnulf.

Em 1995, Terry Jones escreveu e apresentou uma série sobre as Cruzadas para a BBC, na qual aparecia vestido à caráter. Dois anos depois, teve uma ideia com Michael Palin que acabou virando o filme Ferocidade Máxima (Fierce Creatures), com John Cleese, Jamie Lee Curtis e Kevin Kline, repetindo a parceria de Um Peixe Chamado Wanda, de 1988.

Em 2003 e nos anos seguintes, Terry Jones deixou clara sua posição contra a Guerra do Iraque, que foi expressa em várias colunas em colunas publicadas nos jornais ingleses The Observer, The Guardian e The Independent. Em outras colunas nos anos seguintes, ele se dedicou a falar mal do colapso do sistema financeiro mundial em 2008, algo que iria transformar em documentário mais tarde.

Seu último filme como diretor foi Absolutamente Impossível (Absolutely Anything), com o ator Simon Pegg e a atriz Kate Beckinsale, que foi lançado em 2015, mesmo ano em que foi diagnosticado com a doença. Os alienígenas do filme são dublados por John Cleese, Terry Gilliam, Michael Palin e Eric Idle, além é claro de Terry Jones, juntando toda a trupe novamente para o que acabou sendo uma despedida. Confira o trailer abaixo.

No mesmo ano ele lançou o já citado documentário Boom Bust Boom, dirigido por ele e por Bill Jones ao lado de Ben Timlett. Nesse filme, Jones mostra toda a sua veia de crítico social, falando sobre o escândalo da economia de 2008, e como o problema basicamente vem se repetindo ao longo da história.

Neste outro vídeo os cinco Pythons se uniram para uma conversa no lançamento do Blu-ray da edição de 30 anos de O Sentido da Vida.

Ao ser homenageado pelo Bafta (British Academy Cymru Awards) em 2016, ele recebeu o prêmio de Outstanding Contribution to Film and Television das mãos de seu velho amigo Michael Palin, que também dedicou a ele doces palavras.

Felizmente ele recebeu essa devida homenagem dos seus compatriotas em vida. Infelizmente a Academia não teve a mesma grandeza de conceder um Oscar honorário a este grande ser humano e a essa incrível profissional da indústria do entretenimento, mas sinceramente quem perde com isso são eles.

Em uma entrevista em 2017, Michael Palin explicou o que Terry Jones estava enfrentando. Apesar de não conseguir mais se comunicar, Terry continuava a aproveitar a vida da sua própria forma, e também a receber a visita de Palin, que sempre deu muita força para seu velho parceiro de escrita e de comédia.

O BFI (British Film Institute) também fez um tributo emocionante ao mestre Terry Jones, que pode ser assistido abaixo.

Em toda a sua vida, Terry Jones criou obras incríveis, pelas quais nós devemos ser eternamente gratos. Muito obrigado por tudo, Terry!

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