Huck diz que Brasil atravessa ‘crise de liderança’ e foge a responsabilidades

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O apresentador Luciano Huck diz, em artigo enviado à reunião anual do FEM (Fórum Econômico Mundial), que o Brasil enfrenta uma crise de liderança política e se esquiva de responsabilidades internacionais relacionadas às questões sociais e ambientais.

O texto foi publicado nesta 4ª feira (15.jan.2020) no site do World Economic Forum Annual Meeting. A 50ª reunião anual do FEM será realizada de 21 a 24 de janeiro, em Davos, na Suíça. O presidente Jair Bolsonaro cancelou participação no evento e será representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segundo Luciano Huck, entre as maiores ameaças existenciais no mundo estão a aceleração das mudanças climáticas, a crescente desigualdade social e o “fracasso” dos países em cooperar para mitigar riscos globais.

Para o apresentador, o Brasil terá 1 papel de liderança na década de 2020 devido aos imensos recursos naturais do país e “estoque impressionante de recursos humanos”. No entanto, afirma que o governo atual, sem mencionar Bolsonaro, tem se esquivado das responsabilidades.

“A Amazônia é frequentemente descrita como os ‘pulmões do mundo’ –por boas razões. Mas os pulmões estão em colapso como resultado de incêndios provocados pelo homem e desmatamento descontrolado. Com mais de 210 milhões de cidadãos, o Brasil também possui 1 estoque impressionante de recursos humanos. Mas também é convulsionado pela desigualdade de tirar o fôlego e pela pobreza crescente. Para complicar, estamos enfrentando uma crise de liderança política e nos esquivando de nossas responsabilidades internacionais”, diz.


Luciano Huck afirma que os desafios dos brasileiros podem parecer “esmagadores”, mas defende a necessidade de uma visão transformadora no país, de renovação de liderança política e mudanças concretas para que o Brasil ganhe 1 novo rumo e as pessoas percam o medo.

“O que acontecer nos próximos anos no Brasil tem consequências de longo alcance para a sobrevivência global. As decisões adotadas pelo maior país da América Latina –seja em relação à proteção da Amazônia, redução da desigualdade ou fortalecimento da cooperação multilateral– ajudarão a determinar se este é o melhor século do mundo ou o último”, diz.

Luciano Huck é 1 possível candidato a presidente em 2022 e é integrante do movimento Agora e 1 dos fundadores do RenovaBR–ambos defendem a renovação política e de políticas públicas. No texto, o apresentador ainda menciona que, como apresentador do Caldeirão do Huck, da Rede Globo, viaja pelo país, escuta histórias inspiradoras e comoventes.

Eles me lembram todos os dias porque eu preciso contribuir para a construção de 1 Brasil melhor”, diz, ao afirmar que seu programa alcança cerca de 30 milhões de brasileiros por semana.

O apresentador ainda elenca 3 desafios que o Brasil deve enfrentar e que os brasileiros podem transformar em oportunidades. Em todos os 3 pontos citou negligências do governo Bolsonaro.

Eis abaixo os temas:

Desmatamento da Amazônia: ‘Governo tentou ocultar, mas dados alertam’

Luciano Huck diz que, por mais que o governo brasileiro tenha tentado ocultar os dados, o satélite do próprio Ministério da Ciência mostrou que as taxas de desmatamento atingiram os níveis mais altos em duas décadas. E, que, enquanto o assunto sai do noticiário internacional, “a destruição continua”.

“Se o desmatamento persistir nas taxas atuais, poderá converter as maiores florestas tropicais do mundo em sua maior savana. Isso liberaria até 140 bilhões de toneladas de carbono armazenado na atmosfera, reduzindo efetivamente os esforços para cumprir as metas do Acordo de Paris”, afirma.

Para solucionar a questão, o apresentador defende a “tolerância zero” ao desmatamento, uma administração sustentável, incentivo à cultura e biodiversidade e a melhoria da produtividade das regiões onde as florestas foram cortadas.

“Tão importante quanto o agronegócio sustentável é a expansão do ecoturismo, o investimento em pesquisa em biotecnologia e o desenvolvimento de produtos da floresta tropical comercializados de maneira justa”, diz.

Desigualdade social: ‘Governo se volta ao protecionismo reacionário’

Luciano Huck diz que, no Brasil, o governo está se retirando da cooperação multilateral e voltando ao nacionalismo e protecionismo reacionário. Segundo o apresentador, apesar de o nível de pobreza ter caído a partir dos anos 2000, a desigualdade permanece “teimosamente alta”.

“Hoje, a renda mensal média do mais rico é de mais de 33 vezes a renda dos 50% mais pobres. A desigualdade não apenas impede o crescimento econômico, mas também alimenta a polarização e o populismo”, afirma.

O apresentador defende a necessidade de o país colocar a redução da desigualdade social no topo da agenda nacional em 2020. A medida vem sendo encabeçada no Congresso pela deputada Tabata Amaral (PDT-SP) e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pretendem aprovar no ano a Agenda Social, 1 pacote de propostas legislativas com o objetivo de combater a pobreza e a desigualdade social. Maia, inclusive, já manifestou simpatia pelas propostas de Huck.

“O Brasil precisa colocar a redução da desigualdade no topo da agenda nacional em 2020. É necessário uma combinação de intervenções de senso comum: garantir uma arrecadação mais justa de impostos, reduzir subsídios para os ricos, implementar políticas de igualdade de oportunidades e estimular oportunidades para os mais vulneráveis”, defende o apresentador no artigo.

Restauração da liderança: ‘Eleição de Bolsonaro revelou extensão da insatisfação política’

Para Luciano Huck, a eleição de Jair Bolsonaro como presidente da República em 2018 revelou a extensão da insatisfação dos brasileiros com o cenário político. “Bolsonaro foi eleito porque a credibilidade do establishment político do Brasil foi demolida pelas investigações em andamento da Lava Jato sobre corrupção do governo. Exaustos pelo escândalo e pela estagnação, os brasileiros votaram pela mudança”, disse.

O apresentador diz que a ideia de mudança deve permanecer e defendeu a renovação de líderes políticos de todas as esferas –federais e estaduais–, “de cima a baixo”. Para ele, o país precisa de uma liderança responsável, representativa para revitalizar as questões sociais.

“Líderes irresponsáveis ​​podem tirar proveito do medo e da incerteza que resultam. Mas também podemos revidar. Começaremos a reescrever a história brasileira em 2020, 1º reconhecendo nossos problemas mais intratáveis ​​e, depois, aproveitando nossa tremenda criatividade, capacidade científica e conhecimento. Isso significa sair de nossas zonas de conforto. Alimentados por empreendedores civis e sociais de todo o espectro político, podemos reconstruir uma visão positiva para o futuro no Brasil”, diz, ao concluir o texto.

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