D’Alessandro: “Futebol mudou. Hoje há menos jogadores bons. Eu tinha à minha frente Aimar, Gallardo, Ortega”

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Andrés D’Alessandro tem 38 anos e já está há 20 no futebol. Surgido como uma das promessas do River Plate, um dos camisas 10 que a Argentina se acostumou a produzir em série e com alta qualidade, o jogador tem uma carreira notável. Muito ligado ao River, seu clube de formação e de coração, tornou-se um grande ídolo no Brasil, atuando pelo Internacional e sendo protagonista em grandes momentos da história do Colorado. O principal deles a conquista da Libertadores de 2010, mas também a Sul-Americana em 2008, seis Gaúchos e uma Recopa Sul-Americana.

Em entrevista ao jornal argentino La Nación, o jogador falou sobre os 20 anos de carreira, criticou os jovens do futebol atual, as diferenças para a sua época, sua passagem pela Europa e fez duras críticas ao uso das redes sociais.

“Hoje há menos jogadores bons”

“O futebol mudou muito… E eu também, claro. Estreei aos 18 anos, ainda que eu primeiro apareci nas seleções de base porque em uma equipe como o River era muito difícil jogar. Hoje há menos jogadores bons. Eu tinha à minha frente Pablo [Aimar], Muñeco [Gallardo], Ortega…”

“Era muito mais difícil. Por mais que você fosse bom, tinha que esperar teu momento. Eu tive um pouco de espaço quando saíram Pablo e Ortega, mas havia muito mais garotos, estava Damián Álvarez também. O futebol mudou muito. E tudo em volta do futebol mudou muito também”.

“Redes sociais são o pior que aconteceu na vida do ser humano”

“As redes sociais, em um ponto, são o pior que aconteceu… E não só ao futebol, mas ao esporte. Não, é mais, é o pior que aconteceu na vida do ser humano. É o lugar dos covardes. Estão todos escondidos lá… É um massacre. Na minha época não havia nada disso e quando apareceram, ao menos eu, tive que me obrigar a ter um grande equilíbrio”.

“Não podia parar no tempo, não podia escolher ‘Não vou ter Instagram, não vou ter Twitter, não vou colocar Whatsapp no meu celular’. É um pouco contraditório: não posso negar a evolução, mas trato que as redes não entrem em casa, mas é muito difícil. Eu não dou muita bola para as redes sociais, tenho Instagram e no Twitter eu só uso para colocar temas solidários. E quem mexe é um assessor, não quero saber de nada, porque Twitter tem muito mais lixo que o Instagram… Trato de controlar, mas é muito difícil porque as coisas chegam de um modo ou outro”.

“Estive para ir para o Barcelona… Teria mudado totalmente minha carreira”

“Estive cinco anos e meio na Europa e poderia ter ficado. Estive para ir para o Barcelona, em 2001/02, e por coisas do futebol, de empresários, não aconteceu. Nunca entendi, mas, bom. Naquele momento, isso me complicou um pouco a minha carreira, essa confiança que depositava no tipo que trabalhava comigo. O Barcelona teria mudado totalmente minha carreira”.

“Eu gostaria de ter jogado em equipes grandes? Sim, mas não me queixo. Não posso reclamar de nada no futebol. Eu fui um cigano bem compreendido, me adaptei sem problemas à Alemanha, à Inglaterra e, é claro, à Espanha. Eu sempre meto o pé. Sempre soube que o futebol poderia me levar a qualquer lugar. Minha filha Martina nasceu na Inglaterra, Santino nasceu quando estava no San Lorenzo e meu filho mais novo [Gonzalo] é um brasileiro”.

A aposentadoria está próxima?

“Não penso, me sinto jogador. Vou jogar por mais um ano, e não digo que vou parar, mas nesta idade, nunca se sabe, então prefiro objetivos a curto prazo. Talvez, indiretamente estou me preparando. Por exemplo, o curso de técnico eu já fiz. O vestiário te dá muitas experiências, mas sempre é bom ler, aprender, cultivar”.

“Quando me aposentar, vou viajar durante seis meses para visitar, ver treinamentos e partidas. Tudo que eu não pude fazer como jogador, ir ver uma partida da Champions League, por exemplo, porque não tive a sorte de jogar. Levar meus filhos para ver a Champions, algo que, por causa do futebol, ficou totalmente adiado”.

“Os garotos não ouvem nada”

“Os garotos não ouvem nada. Na minha época, eu levantava a voz e me colocavam no lugar, me quebravam. Hoje, os garotos às vezes te olham de lado. E há coisas que eu não aceito: não tolero que o jogador chegue tarde para treinar. E digo: ‘Está faltando com respeito ao clube, aos funcionários, aos seus companheiros, ao técnico, a você mesmo’. Isso desgasta, mas até o último dia eu vou seguir preocupado do que se trata ser um profissional. Nós colocamos multas, mas você mexe com o bolso de um garoto que já tem dinheiro e não acontece nada. Não dói. Porque não entende que não é dinheiro e sim o respeito e o compromisso. Como você vai se atrasar se o roupeiro chegou três horas antes para deixar tudo pronto! Te esperam com as frutas cortadas, com iogurte, com omelete e você chega tarde? É difícil, muito difícil com os garotos”.

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