MPF: Ronnie Lessa autorizou entrada de Élcio Queiroz em condomínio

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Integrantes do Ministério Público do Rio de Janeiro afirmaram, em coletiva nesta quarta-feira 30, que foi Ronnie Lessa quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz no Condomínio Vivendas da Barra, o que contraria o depoimento e as anotações do porteiro do condomínio relatas pelo Jornal Nacional na terça-feira 29. Ronnie e Élcio são apontados como os autores do atentado contra Marielle Franco e Anderson Gomes no dia 14 de março.

Segundo a promotora Simone Sibilio, o porteiro teria mentido ao afirmar que “Seu Jair” autorizou a entrada de Élcio de Queiroz para a casa registrada com o nome do presidente.

As promotoras afirmaram que ainda devem apurar o porquê do porteiro ter prestado o depoimento falso em duas ocasiões. Também não há explicações sobre a anotação no caderno ao qual o Jornal Nacional faz referência e que consta a anotação da casa 58, que pertence a Bolsonaro.

“No dia do crime, por volta das 17h07, Élcio entra no condomínio e pede autorização para entrar. Ele liga para a casa 65. Com base na voz do depoimento de Ronnie Lessa, o Ministério Público fez um confronto vocálico entre a voz de Ronnie Lessa com a voz da pessoa que atende a ligação da cabine e comprova essa relação”, diz Sibilio.

Antes, Lessa e Élcio negaram ao Departamento de Homicídios que tinham se encontrado na data do crime. No entanto, ao receber intimação para testemunhar às autoridades, a esposa de Ronnie, Elaine Lessa, encaminhou para ele a foto de uma planilha. Esses registros pertencem ao condomínio e marcam a entrada de veículos. Essa seria a primeira prova que o MP-RJ teve de que os acusados do assassinato se encontraram naquele dia.

“Após ter recebido a intimação no dia 22 de janeiro, a Elaine envia essa fotografia a Ronnie Lessa e diz: ‘Avisa o Elcio’. Ele responde: ‘ok’. Dois dias depois, aconteceria o depoimento na delegacia de homicídios e eles negam que estiveram juntos.”, relata Simone Sibilio.

O Ministério Público, porém, só conseguiu acesso a essas mensagens trocadas entre Ronnie e a esposa após a prisão de Elaine Lessa, que ocorreu no dia 03 de outubro. Segundo informado na coletiva, o MP-RJ expediu mandado de busca e apreensão no dia seguinte para apurar os registros no condomínio. Em razão da investigação, o síndico teria oferecido espontaneamente o acesso aos áudios da cabine da portaria.

“Não é comum nos condomínios haver esse tipo de gravação. Muitos moradores sequer conhecem. Essa gravação foi entregue voluntariamente pelo administrador do condomínio no dia 8 ou 9 de outubro”, explicou Sibilio.

Ao ser questionada sobre a ida do MP-RJ ao Supremo Tribunal Federal, as integrantes do MPF alegaram que o procedimento foi “protocolar” por conta da citação do porteiro ao nome de Jair Bolsonaro. Pela lei, investigações envolvendo o presidente da República devem ser referidas à Suprema Corte.

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