Lula e irmão são denunciados na Lava Jato por corrupção passiva

Facebook
VKontakte
share_fav

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu irmão, Frei Chico, foram denunciados pela força-tarefa da Lava Jato em São Paulo nesta 2ª feira (9.set.2019) por corrupção passiva continuada. Também foram denunciados Emílio e Marcelo Odebrecht –donos da empreiteira– e o ex-diretor da empresa, Alexandrino de Salles Ramos Alencar, foram denunciados por corrupção ativa continuada. Eis a íntegra da denúncia.

A denúncia afirma que de 2003 a 2015, Frei Chico recebeu R$ 1.131.333,12, por meio de pagamento de “mesada” que variou de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Os pagamentos eram parte de 1 “pacote” de vantagens indevidas oferecidas a Lula, em troca de benefícios obtidos pela Odebrecht junto ao governo federal.


Os crimes de corrupção passiva e corrupção ativa têm pena de 2 a 12 anos de prisão e multa. Na modalidade continuada, as penas podem ser aumentadas de 1/6 a 2/3. Ou seja, se condenados, Lula e Frei Chico poderão receber sentenças de 2 anos e 4 meses a 20 anos de prisão.

Sindicalista militante, Frei Chico começou a ter relações com a Odebrecht ainda nos anos 90, época em que estava em curso o Programa Nacional de Desestatização. A operação sofreu forte resistência dos trabalhadores do setor. Ao todo, 27 químicas e petroquímicas estatais federais foram vendidas.

O então presidente da companhia, Emílio Odebrecht, buscou apoio de Lula, que sugeriu que contratasse Frei Chico como consultor para intermediar 1 diálogo entre a Odebrecht e os trabalhadores. Também participava dessas reuniões o ex-executivo da companhia Alexandrino Alencar.

Frei Chico foi contratado e passou a ser remunerado por uma consultoria efetivamente prestada para a Odebrecht junto ao meio sindical. Em 2002, com a eleição de Lula, a Odebrecht parou com a consultoria prestada por Frei Chico, mas decidiu manter uma “mesada” ao irmão do presidente eleito, com o objetivo de manter uma relação favorável aos interesses da empreiteira.

Os pagamentos começaram em janeiro de 2003, no valor de R$ 3 mil. Em junho de 2007, passaram a ser entregues R$ 15 mil a cada 3 meses (R$ 5 mil/mês). Os valores pararam em 2015, com a prisão de Alexandrino pela Lava Jato.

O MPF aponta que, ao contrário do que acontecia com a remuneração pela consultoria prestada por Frei Chico até 2001, a “mesada” que começou a receber em 2002 era feita de forma oculta, por meio do “Setor de Operações Estruturadas” da Odebrecht, responsável por processar os pagamentos de propina feitos pela companhia.

Estes pagamentos ocultos foram, inicialmente, autorizados por Emílio, e foram mantidos por decisão de Marcelo Odebrecht, mesmo com o término do mandato de Lula, em 2010. Em sua defesa, Frei Chico admitiu que recebeu pagamentos da Odebrecht, alegando que as consultorias que prestava continuaram depois de 2003.

ver Blog do Fernando Rodrigues
#marcelo odebrecht
#emilio odebrecht
#frei chico
#lava jato
#odebrecht
#lula
#luiz inácio lula da silva