Trump agora diz ter voltado a negociar com a China

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São Paulo — Lá vamos nós outras vez. A semana de investidores e analistas começa como terminou a anterior: com os olhos voltados ao vaivém do presidente americano, Donald Trump, sobre a guerra comercial com a China.

Trump está em Biarritz, na França, para o encontro do G7, o grupo dos sete países mais ricos do mundo, o que lhe permite, pelo fuso-horário, já começar o dia influenciando os mercados ocidentais.

Na manhã desta segunda-feira, disse que a China procurou oficiais americanos na noite de domingo para “voltarem à mesa de negociações”. Ao lado do presidente egípcio, Fattah Al Sisi, Trump afirmou a repórteres que as conversas evoluíram e que “eles querem fazer um acordo”.

Não há nada mais Donald Trump do que a estratégia de escalar o tom dos discursos e avinagrar a situação a tal ponto que depois qualquer tipo de acordo possa ser celebrado como uma vitória.

Mais cedo, no domingo, o presidente americano havia afirmado estar arrependido de não aumentar tarifas sob produtos chineses mais cedo. A declaração fez as bolsas asiáticas caírem forte nesta segunda-feira: Tóquio fechou em baixa de 2,17%; Hong Kong caiu 1,91% e Xangai, 1,17%.

Na sexta-feira, às vésperas do encontro do G7, a China anunciou que aplicaria novas tarifas a produtos americanos, levando os principais índices ocidentais a fechar em queda de mais de 2% e fazendo Trump sugerir que as empresas americanas encontrassem alternativas à China.

As novas declarações de Trump, seguindo a ciclotimia das últimas semanas, podem jogar os papeis para cima nesta segunda-feira, a menos que investidores deem uma mostra de ter cansado desta valsa. A única certeza, até aqui, é que a guerra comercial com vistas eleitorais tem feito mal para a economia americana e também para a mundial, com revisões para baixo nas perspectivas de crescimento.

Em Biarritz, Trump esteve mais uma vez onde gosta: no centro da atenções. O jornal americano New York Times chegou a afirmar que o principal objetivo dos líderes globais presentes é não enfurecer “o senhor você sabe quem”. Ainda nesta segunda-feira, último dia do evento, o presidente francês, Emmanuel Macron, surpreendeu ao afirmar que consultou Trump sobre um convite ao chanceler iraniano Javad Zarif, convidado surpresa do G7.

Os debates sobre como as queimadas na Amazônia podem dificultar as relações internacionais do Brasil e os impasses do Brexit também foram alguns dos principais temas de Biarritz. Mas nada que superasse a instabilidade constante de “o senhor você sabe quem”.

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