Apple está dependendo cada vez menos do iPhone, como mostrou o 3º trimestre fiscal de 2019

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Como esperado, a Apple divulgou ontem os resultados financeiros do seu terceiro trimestre fiscal de 2019. A receita no período foi de US$53,8 bilhões (0,9% a mais se comparado ao mesmo período de 2018), com lucro líquido de US$10 bilhões (-13%) e ganhos por ação diluída de US$2,18 (-6,8%). Vendas internacionais compreenderam 59% de todo o faturamento trimestral e a margem de bruta no período foi de 37,6%.

Como de costume, o CEO1 Tim Cook e o CFO2 Luca Maestri realizaram uma conferência em áudio para anunciar os resultados e comentarem um pouco o desempenho da empresa no último período — e a projeção para o que ainda vem por aí.

Nesse evento, seja durante as falas dos executivos ou na sessão de perguntas e respostas com analistas/jornalistas, sempre pintam informações interessantes. E nós, é claro, acompanhamos tudo de perto para trazer os destaques do último trimestre da Maçã para você.

Dinheiro que não acaba mais

Os resultados financeiros da empresa ficaram dentro do esperado pela Apple, que havia estimado ganhos entre US$52,5-54,5 bilhões em receita, margem bruta entre 37% e 38%. Com isso, a empresa tem agora aproximadamente US$211 bilhões em caixa.

Ainda que seja uma valor substancial, ele representa uma queda de 6% se comparado ao trimestre anterior, muito por conta do programa de recompra de ações — para temos uma ideia, apenas no terceiro trimestre fiscal de 2019, a Apple recomprou 88 milhões de ações, (investimento de US$17 bilhões).

Crescimento em todas as regiões

Segundo Cook, as receitas da Apple cresceram em todas as regiões onde a empresa opera, em todas as categorias de produtos (com exceção do iPhone). Este também foi o melhor terceiro trimestre fiscal para as Apple Retail Stores (atualmente são 506 lojas em 22 países).

Até mesmo na China, onde a Apple estava passando por grandes dificuldades, as coisas estão melhorando. Segundo Cook, a empresa viu grandes melhorias no país (tanto nas vendas de iPhones quanto na de produtos de outras categorias), voltando a crescer por lá. O segmento Serviços teve um crescimento de dois dígitos, principalmente por conta do desempenho da App Store.

Mastri comentou que a Apple obteve melhorias significativas nas receitas nos mercados emergentes; na Índia e no Brasil, o crescimento foi de dois dígitos; no Vietnã e nas Filipinas, a empresa estabeleceu novos recordes para o terceiro trimestre fiscal.

iPhone caindo; outros produtos compensando

A queda no segmento iPhone foi bastante grande, de 10,9%. Ainda assim, a base instalada do smartphone atingiu um novo recorde em todos os segmentos onde a empresa opera.

Mesmo com a queda do iPhone, o desempenho comercial dos outros segmentos (Mac, iPad, Vestíveis, Casa e Acessórios, e Serviços) mais do que compensou essa perda.

Aliás, foi a primeira vez na história recente da Maçã que, somados, os valores desses segmentos ultrapassaram o faturamento do iPhone (US$27,7 bilhões vs. US$25,9 bilhões), mostrando que a Apple está caminhando para se tornar cada vez menos dependente da receita gerada pelo seu smartphone.

Tirando o iPhone da jogada, as categorias de produtos cresceram 20%! Ainda assim, Maestri disse que o iPhone teve uma melhora de desempenho ano a ano em 15 dos 20 maiores mercados da empresa. O programa de upgrades de iPhones cresceu 5x se comparado ao mesmo período de 2018.

Falando especificamente do Mac, o trimestre fiscal foi de recorde nos EUA, na Europa e no Japão — números bem distantes da indústria de PCs como um todo. O segmento cresceu em quatro das cinco regiões onde a Apple atua, atingindo a maior base instalada de Macs já vista.

O iPad cresceu em todos os cinco segmentos geográficos — este foi o terceiro trimestre seguido que os números do iPad crescem; mais da metade dos clientes que compraram iPads durante o trimestre eram novos; a base instalada ativa de iPads atingiu novo recorde!

Recorde da App Store; Apple Pay decolando

Os Serviços continuam fazendo bonito. A App Store, por exemplo, estabeleceu um novo recorde para o terceiro trimestre fiscal, com crescimento de dois dígitos. Outros que tiveram crescimento similares foram Apple Music, iCloud e AppleCare+ (o melhor trimestre fiscal dele, inclusive). Os anúncios na App Store, por sua vez, tiveram crescimento de três dígitos!

As assinaturas em apps oferecidas por desenvolvedores terceiros cresceram 40%, segundo o CFO da Maçã.

A empresa ultrapassou a barreira de 420 milhões de assinantes pagando por algum serviço (seja Apple Music, Apple News+ ou espaço no iCloud — lembrando que o Apple Arcade e o Apple TV+ se juntarão em breve a esse catálogo de ofertas). Em 2020, a empresa deverá ultrapassar os 500 milhões de assinantes.

Já o Apple Pay está completando 1 bilhão de transações por mês, um volume 2x maior que há um ano. Disponível em 47 mercados, o serviço de pagamento da Maçã ganhou mais novos usuários no trimestre fiscal do que o PayPal, com um volume de transações crescendo 4x mais rápido. O crescimento do serviço no trimestre foi de três dígitos!

Apple Card chegando em agosto

Como já comentamos, Cook confirmou que diversos empregados estão testando o Apple Card e que o cartão de crédito da empresa será lançado (apenas nos Estados Unidos) em agosto.

Vestíveis em acensão

A receita gerada pelos produtos “vestíveis” (Apple Watch, AirPods e fones Beats) teve um crescimento no trimestre de mais de 50%. Com isso, apenas essa categoria de produtos poderia ser enquadrada no ranking Fortune 200.

Vale notar que a Apple TV e os acessórios tiveram crescimento de dois dígitos. E já que estamos falando de Apple TV, o novo app teve um aumento de 40% de visualizações se comparado ao mesmo período de 2018.

Falando do Apple Watch e do app ECG, um dos pontos fortes do Apple Watch Series 4 que permite a execução de um eletrocardiograma de uma forma muito simples e fácil, ele está agora disponível em 31 países/regiões — após o lançamento no Canadá e em Singapura na última semana. Até o fim do ano, a Apple pretende expandir ainda mais.

Negócio com a Intel

Cook lembrou que, na semana passada, a Apple anunciou a aquisição do negócio de modem para smartphone da Intel — a segunda maior aquisição da empresa em valor, (US$1 bilhão, perdendo apenas para a compra da Beats, por US$3 bilhões).

O CEO deu as boas-vindas aos funcionários da Intel que agora fazem parte do quadro da Maçã e lembrou que a empresa faz questão de controlar a criação/produção de componentes essenciais para seus produtos.

Perguntado sobre a gestão do 5G durante a sessão de perguntas e respostas, o executivo afirmou que não comenta sobre futuros produtos da companhia, mas disse que o 5G ainda está em estágio muito inicial, principalmente pensando de forma global — o que bate com os rumores de que só veremos um “iPhone 5G” em 2020.

Satisfação dos usuários

Segundo Maestri, combinados, os iPhones XS, XS Max e XR atingiram 99% de satisfação de usuários — dados da empresa 451 Research.

Já os iPads, de acordo com a mesma firma de pesquisa, tem uma taxa de satisfação entre usuários de 94%.

Produção na China

Durante a sessão de perguntas e respostas, Cook foi questionado sobre a produção da Apple na China. O CEO respondeu afirmando que tem havido muita especulação sobre isso, mas que não é necessário dar tanta atenção ao assunto. Ele disse ainda que as peças dos produtos da Maçã vêm de todos os lugares (China, Coreia, Japão e Estados Unidos).

Além disso, o executivo afirmou que o Mac Pro atualmente é feito nos EUA e que a Apple gostaria de continuar fabricando o produto no seu país.

Novos negócios

De acordo com Cook, 2/3 dos principais bancos (ele não especificou de quais regiões) estão implementando produtos da Apple; 90 dos maiores 100 bancos por ativos estão passando a usar produtos da empresa.

O trimestre fiscal em gráficos

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Reação de Wall Street

Ontem, logo após a divulgação dos resultados, as ações da Apple disparam mais de 4% nas negociações pós-fechamento e, se hoje mantivesse o mesmo patamar, a empresa voltaria a ultrapassar a barreira do US$1 trilhão em valor de mercado.

$AAPL

Ainda que não a grande alta não tenha se confirmado, os papéis fecharam o dia valendo US$213,04 (alta de 2,04%). Dessa forma, o market share da Maçã ficou em US$980,2 bilhões.

Previsões para o quarto trimestre fiscal de 2019

Olhando à frente para o terceiro trimestre fiscal de 2019, a Apple prevê uma receita de US$52,5-54,5 bilhões, margem bruta entre 37% e 38%, gastos operacionais entre US$8,7 e US$8,8 bilhões, outras receitas/(despesas) de US$250 milhões e uma taxa de impostos de aproximadamente 16,5%.

Para o quarto trimestre fiscal de 2019, a Apple prevê uma receita de US$61-64 bilhões, margem bruta entre 37,5% e 38,5%, gastos operacionais entre US$8,7 e US$8,8 bilhões, outras receitas/(despesas) de US$200 milhões e uma taxa de impostos de aproximadamente 16,5%.

via MacRumors, AppleInsider, MacStories

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