MPF: gerentes do Bradesco e doleiro são suspeitos de lavar R$ 989,6 milhões

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O MPF (Ministério Público Federal) informou nesta 3ª feira (28.mai.2019) que o doleiro Júlio Andrade e os gerentes do Bradesco Tânia Fonseca e Robson Silva são suspeitos de ter ajudado a lavar R$ 989,6 milhões por meio do sistema bancário.

Os 3 são alvos de 1 desdobramento da operação Câmbio, Desligo, braço da Lava Jato no Rio de Janeiro. Tânia foi presa em casa, na Zona Oeste do Rio. Júlio e Robson estão foragidos.


De acordo com o MPF, os 2 funcionários do Bradesco suspeitos de envolvimento eram “peças importantes em sofisticado esquema de lavagem de dinheiro”. Segundo a procuradoria, os doleiros captavam cheques recebidos no varejo e depositavam em contas bancárias de empresas fantasmas.

Reprodução Ministério Público Federal

Para abertura e movimentação das contas, a organização criminosa contava com a participação de gerentes de bancos que descumpriam regras de compliance a fim de permitir a criação das contas de giro.

De acordo com a petição do MPF, Júlio Andrade era responsável por abrir as contas fantasmas utilizadas nas transações e fornecer telefones “frios”. Ao menos 7 empresas foram identificadas e são alvo de busca e apreensão.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, a pedido do MPF.

O que diz o Bradesco

Em nota, o Bradesco informou que tomou conhecimento pela imprensa da ação de autoridades policiais envolvendo 2 funcionários. “As informações, quando oficialmente disponíveis, serão apuradas internamente”.

“Como sempre, o Bradesco se coloca à disposição das autoridades no sentido da plena colaboração e esclarecimento sobre as apurações que estão sendo realizadas. Por fim, o Bradesco reitera que cumpre rigorosamente com as normas de conduta ética e governança vigentes para a atividade”, informou.

Entenda a operação Câmbio, Desligo

A operação Câmbio, Desligo, que deu origem a ação desta 3ª feira (28.mai.2019), teve como base a delação do doleiro Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony. Eles foram presos em 3 de março de 2017 no Uruguai e intermediavam operações dólar-cabo para os irmãos Renato e Marcelo Hasson Chebar, também operadores financeiros do esquema do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB).

No sistema dólar-cabo, o cliente pagava aos doleiros em reais, no Brasil, e estes depositavam o valor correspondente em dólares, no exterior –sem pagar os devidos tributos.

Segundo o MPF, constatou-se que de 2011 a 2016 o grupo movimentou mais de US$ 1,6 bilhão (R$ 6,5 bilhões), com atuação em 52 países e envolvendo mais de 3.000 offshores.

ver Blog do Fernando Rodrigues
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