Documentos do WikiLeaks indicam que Steve Jobs era HIV positivo; será?

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Nesta semana, começaram a circular duas imagens supostamente confidenciais de exames do falecido cofundador e ex-CEO da Apple, Steve Jobs, compartilhadas pelo WikiLeaks após a prisão de Julian Assange. Esses supostos exames do California Pacific Medical Center mostram que Jobs tinha era soropositvo (ou seja, tinha HIV1) — o que é diferente de ter AIDS2. Será?

Antes, vamos aos fatos: nada disso é novo, muito pelo contrário. O WikiLeaks divulgou essas informações em janeiro de 2009 — época em que o executivo ainda estava vivo, já que ele faleceu em outubro de 2011.

E não precisa se esforçar muito para questionar tais exames. O próprio WikiLeaks fez isso no seu sumário sobre a notícia, o qual traduzimos abaixo:

Supostos resultados do status médico de HIV de Steve Jobs, 2008

Duas fotos, supostamente parte do arquivo médico do CEO da Apple, Steven P. Jobs, mostram um resultado positivo para HIV. As duas fotos foram distribuídas por email, e apareceram em várias publicações na internet, incluindo o “iReport”, da CNN, que anteriormente divulgou um falso relatório sobre a morte de Jobs.

Os resultados de HIV feitos pela empresa SxCheck são datados de 1º de setembro de 2004. Embora o site da SxCheck não tenha sido lançado até 2006, sua empresa-mãe Adult Industry Medical Health Care Foundation existe desde a década de 1980. Assim, é plausível que os resultados sejam uma reedição de testes anteriores associados à sua empresa-mãe. O site da SxCheck fala em “décadas de experiência”.

Se Steve Jobs tivesse HIV, é possível que o seu câncer de pâncreas fosse um sarcoma de Kaposi, que emula câncer de pâncreas em pacientes HIV-positivos. Steve Jobs também segue uma dieta ocasionalmente recomendada para pacientes com AIDS como uma terapia alternativa.

Uma inspeção minuciosa da segunda imagem revela que os detalhes pessoais do Sr. Jobs estão ligeiramente desalinhados e não seguem a perspectiva do texto ao redor. “Nascido” [“Born”] no campo “Data de Nascimento” [“Date of Birth”] também é incomum, embora não seja por si só uma prova de documento falso.

O número do seguro social, por outro lado, tem uma estrutura válida e foi emitido na Califórnia, embora não se saiba se é do Sr. Jobs.

Como o preço das ações da Apple depende em parte da saúde de Jobs, especuladores de ações são motivados a introduzir informações críticas sobre a saúde de Jobs.

Devido às datas contraditórias, possíveis evidências de falsificação, fortes motivações para a fabricação e poucas motivações para uma revelação legítima, as imagens devem ser questionadas.

Na época, Thomas Claburn (hoje reporter do The Register) escreveu um artigo para a InformationWeek intitulado “O Wikileaks deve a Steve Jobs um pedido de desculpas”. Nele, Claburn afirmou respeitar os “princípios jornalísticos que o Wikileaks defende”, mas questionou se o site “fez a si mesmo e ao jornalismo um desserviço” ao publicar imagens que pretendem mostrar parte do arquivo médico do CEO da Apple, uma sendo reconhecida como falsa e a outra considerada bastante suspeita — lembrando que essas imagens apareceram no iReport, da CNN, mesmo veículo o qual afirmou que Jobs havia sofrido um arque cardíaco.

Ora, se o próprio WikiLeaks deixa claro no seu sumário que as imagens (consequentemente, a notícia em si) devem ser questionadas, por que publicar algo assim? Ainda mais depois de levantar a possibilidade de que tal manipulação poderia ter sido fruto de uma manobra para fazer as ações da Apple caírem, como o próprio sumário indica.

Claburn, por sinal, perguntou a um porta-voz da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos se a agência reguladora estava investigando a potencial relação entre rumores como esse e tentativas de vender ações da Apple, mas nada foi comentado.

Na época, o jornalista também fez algo simples que qualquer um poderia ter feito: comparar a assinatura de Jobs no tal exame com outras do cofundador da Apple. E a diferença, como podemos ver, é bem grande.

Assinatura de Steve Jobs Assinatura de Steve Jobs

Assinaturas reais de Steve Jobs — compare com a do exame (no começo deste artigo).

Uma afirmação tão significativa quanto essa (lembre que, na época, Jobs estava vivo e ainda à frente da Apple) deveria ter sido bem mais apurada pelo WikiLeaks antes de compartilhadas com o público. “Já há bastante desinformação online; o Wikileaks não deveria estar se espalhando mais”, afirmou Claburn em 2009.

Errata 12/04/2019 às 14:36

Alteramos o texto e corrigimos a informação relacionada a AIDS vs. HIV positivo. Obrigado a todos pelo alerta!

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