Vale paralisa capacidade de 82,8 mi t/ano de minério após desastre

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Rio de Janeiro – A Vale foi levada a paralisar um total de 82,8 milhões de toneladas anuais de capacidade produtiva de minério de ferro até o momento, após o rompimento de uma de suas barragens em Brumadinho, Minas Gerais, em 25 de janeiro, segundo informações da companhia.

O volume paralisado equivale a quase 21 por cento da produção de minério de ferro na Vale (maior produtora global da commodity) inicialmente prevista para 2019, de 400 milhões de toneladas.

Do total, uma capacidade de 40 milhões de toneladas/ano foi paralisada pela própria Vale, segundo anúncio em 29 de janeiro, como parte de um plano para descomissionar barragens com o mesmo método de construção da estrutura que se rompeu em Brumadinho, deixando mais de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

A Vale afirmou, à época, que compensaria parcialmente o corte de capacidade produtiva com operações não atingidas pelo descomissionamento, notadamente no Pará, de onde vem a maior parte de sua produção.

As demais paralisações ocorreram após medidas judiciais ou de autoridades, que questionaram a segurança de barragens.

Especialistas dizem que os negócios da Vale não serão atingidos tão fortemente pela perda na capacidade produtiva devido à alta nos preços do minério de ferro –na esteira da esperada redução da produção da companhia–, que acabam compensando a redução esperada nos embarques.

Os contratos futuros do minério de ferro na China chegaram a subir mais de 3 por cento nesta segunda-feira, para máxima em duas semanas, apoiados por preocupações com uma oferta mais apertada após os cortes de produção da Vale.

Linha do tempo

– As paradas para o descomissionamento das barragens com o chamado método de alteamento a montante –quando as paredes são construídas sobre uma base de rejeitos, em vez de em material externo ou em terra firme– tiveram início em 4 de fevereiro.

– A paralisação para descomissionamento de barragens afetará as operações de Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, localizadas no complexo Vargem Grande; e as atividades em Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, localizadas no complexo Paraopeba, incluindo também a paralisação das plantas de pelotização de Fábrica e Vargem Grande.

– Também em 4 de fevereiro, decisão judicial determinou a paralisação de oito barragens da Vale, com potencial de reduzir a produção de minério de ferro em cerca de 30 milhões de toneladas por ano. A determinação paralisou Brucutu, maior mina da companhia em Minas Gerais.

-Em 20 de fevereiro, a regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou, de forma preventiva, a suspensão imediata das atividades dos complexos de Fábrica e de Vargem Grande.

– Em 15 de março, a Justiça determinou que a Vale se abstenha de praticar qualquer ato tendente a construir, operar, altear ou utilizar a barragem Doutor, bem como de operar as demais estruturas da mina de Timbopeba, com impacto de 12,8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

– Nesta segunda-feira, a empresa anunciou que a Justiça determinou a suspensão em mais duas barragens em Itabira, até apresentação de nova declaração de estabilidade, mas sem impacto significativo nas operações da Mina Cauê.

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