Morador da Zona Leste é o que mais sofre com distância até o trabalho

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Pensando no trajeto que você faz de casa até o trabalho, quanto tempo você gasta entre esses dois lugares considerando a ida e a volta? Para 63% dos paulistanos, esse deslocamento leva mais de uma hora, como acontece com a auditora contábil Karin Oliveira, 27, moradora do Jardim dos Ipês, na Zona Leste.

“Atualmente passo cinco horas do meu dia dentro do transporte público, um tempo que poderia ser utilizado para diversas outras atividades que me trariam melhor qualidade de vida. É desgastante e estressante”, lamenta Karin. Durante a semana, ela vai da sua casa até o bairro do Morumbi, na Zona Sul, ou Cidade Universitária, na Zona Oeste.

De acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo: Trabalho e Renda”, da Rede Nossa São Paulo e Ibope, Karin mora na região onde mais se sofre com o tempo gasto entre o trabalho e a casa.

Cerca de 27% dos moradores da Zona Leste entrevistados levam mais de duas horas nesse trajeto; é lá também o maior tempo médio de deslocamento: 1h50. A média da cidade é de 1h43.

Para Rafael Calabria, pesquisador em mobilidade urbana do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), menos postos de trabalho e problemas de infraestrutura justificam esses índices.

“A Zona Leste tem pouquíssimo posto de trabalho e muita população. Além do mais, os meios de transportes são insuficientes para as demandas. De manhã, muita gente precisa viajar até o centro e às 18h muita gente volta. Os meios ficam saturados no mesmo sentido”, revela.

Leonardo Duarte, morador do Itaim Paulista, leva mais de uma hora para chegar ao trabalho na região central (Arquivo pessoal)

O consultor de sistema Leonardo Duarte, 31, mora no Itaim Paulista e é um desses exemplos de viajantes até a região central. Diariamente, ele pega ônibus, metrô e trem para chegar ao seu trabalho.

“Levo cerca de 1h20, em transportes lotados, mas o maior problema é a velocidade dos trens, que são lentos. Fora que fico refém de três linhas, de metrô e CPTM, e qualquer interrupção nelas já me atrasa”, conta.

Duarte relembra que gastava quase o dobro do tempo quando trabalhava na Zona Sul.

“Trabalhei na região da Berrini e perdia no mínimo cinco horas do meu dia dentro dos transportes, quem mora na periferia da Zona Leste sabe o sacrifício para chegar nesse lugar.”

O pesquisador Rafael Calabria observa falhas nos investimentos públicos para solucionar os problemas dos transportes públicos. “A gente vê total desinteresse da atual gestão em investir na infraestrutura de transporte. Os passos, que já eram devagar, estão quase parados. No plano de mobilidade de 2015, com muitos corredores previstos, 150 km, a gestão reduziu para 72 km e nem deve alcançar”, destaca.

Os índices positivos da zona oeste

No outro lado da cidade, a Zona Oeste é onde os moradores sofrem menos com esse deslocamento. A média do trajeto é de 1h35 – a menor paulistana. Lá, 11% gastam até 30 minutos para chegar ao serviço. A professora Daniela Juliani, 45, é uma dessas felizardas.

“Entro às 7h no trabalho e gasto 15 minutos para chegar. Tem pouco trânsito nesse horário. É maravilhoso. Na verdade, é fundamental morar perto do trabalho para mim”, diz.

Daniela mora na Vila São Francisco, região do Jaguaré, e trabalha no Jardim Bonfiglioli, bairro do Butantã, ambos na Zona Oeste. Ela avalia que o tempo de deslocamento conta muito na escolha do trabalho.

“Já trabalhei longe e me estressa. Até desenvolvi uma gastrite por isso quando era mais nova. E esse é sempre um critério muito importante para mim”, afirma.

Terminal de ônibus Butantã, na zona oeste da capital paulista (Rômulo Cabrera/32xSP)

A região também é campeã em outro indicativo na cidade. De acordo com a pesquisa, 22% dos moradores da Zona Oeste trabalham em casa. Na região Norte, são 16%. No centro e Zona Sul, são 15%; e na Leste, apenas 12% fazem o serviço no lar.

Moradora do Jardim Celeste, a autônoma Lorena Borges, 22, trabalha com a venda de peças de roupas, como maiôs, biquínis e lingeries em casa.

“Comecei com as vendas para complementar a renda do lar. Porém, fiquei desempregada e vi a oportunidade de continuar com as minhas vendas.”

Ela elenca os prós e contras do negócio: “A desvantagem é não ter uma renda fixa, por outro lado, tenho flexibilidade de horário. E sempre tive a vontade de estar mais presente na vida da minha filha. Hoje, eu consigo conquistar o meu dinheiro e ficar com ela, além de praticar exercícios físicos”.

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