Brasileiro gasta mal, afirmam 'economistas' do Youtube

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Início de ano é uma época propícia para fazer planos. Mas, para realizar alguns deles, é bom ter controle financeiro. Por meio das redes sociais é possível conseguir dicas que podem ajudar a colocar as finanças em dia, economizar e realizar os sonhos. A especialista em planejamento financeiro Júlia Mendonça é um exemplo de que é possível mudar a realidade de endividada para investidora. “Eu percebi que tinha que mudar, comecei a estudar o assunto, fiz diversos cursos e descobri minha vocação”, diz.

Ela conta que o interesse pela área de finanças vem crescendo no país, tanto que apareceram mais canais sobre o tema, bem como mais livros foram lançados. “O número de inscritos no meu canal serve de termômetro. Comecei 2018 com 45 mil, agora está em 222 mil”, observa.

Para Thiago Nigro, criador do canal O Primo Rico, que conta com mais de 1,5 milhão de seguidores, existe um grande potencial a ser conquistado no país, que tem 208,5 milhões de habitantes e muita gente endividada. Além de comandar o canal, ele presta serviços de consultoria e virou escritor. No fim de 2018, ele lançou o livro “Do Mil ao Milhão – Sem Cortar o Cafezinho”, no qual mostra estratégias para gastar bem, investir melhor e ganhar mais.

A vida de Nathalia Arcuri também mudou ao aprender a lidar melhor com as finanças. Aos 30 anos, ela pediu demissão do seu emprego de repórter de TV e montou o canal Me Poupe!, no YouTube. Aos 32, ela já estava milionária. Hoje o canal tem mais de 1,5 milhão de inscritos e é visto por mais de 8 milhões de pessoas todo mês. Num processo natural, ela acabou lançando um livro sobre o assunto.

Para a também jornalista Gabriela Forlin, que comanda o canal Mão de Vaca, no geral os brasileiros têm uma relação ruim com o dinheiro. “Basta ver o nível de endividamento das famílias. Mas também é algo do ser humano – em geral somos mais imediatistas, não nos planejamos para o longo prazo. Por outro lado, vejo que, mesmo aos pouquinhos, o interesse está aumentando. Não à toa há cada vez mais canais de finanças no YouTube. É um movimento lento, mas fico feliz de ver cada vez mais pessoas se interessando”, analisa.

Experiência própria

Durante as conversas no trabalho, principalmente, Gabriela percebia que as pessoas gastavam muito mais para fazer as mesmas coisas ou até menos, já que o dinheiro não rendia tanto. “Por exemplo, começávamos a falar sobre planos de telefone celular e, enquanto eu pagava R$ 59 por mês por um plano ilimitado, outra pessoa gastava R$ 200. Ou alguém aparecia com a mesma blusa, mas a pessoa pagou R$ 200 no shopping e eu paguei R$ 150 usando cupons na internet”, relembra. “Quando as pessoas começavam a ver que era possível gastar menos e viver mais, me pediam dicas para tudo. Foi aí que entendi que eu poderia ajudar nesse sentido”, conta.

Ela ressalta que acabou começando o canal graças ao incentivo dos amigos. A ideia era otimizar as dicas em vídeos para não ter que ficar repetindo a mesma coisa várias vezes. “Achei que só as pessoas bem próximas iriam assistir, jamais imaginei que, em menos de cinco meses, dez mil pessoas estariam inscritas para ouvir o que eu tenho a dizer”, diz.

Gabriela conta que o retorno dos seguidores é o que mais a motiva. “É muito recompensador receber mensagens das pessoas dizendo que conseguiram eliminar a tarifa da conta bancária, que não pagam mais anuidade do cartão de crédito, que estão fazendo renda extra com uma atividade que conheceram no canal, que estão indo a restaurantes que sempre sonharam, mas não frequentavam antes porque não sabiam que podiam ter 50% de desconto na conta, e por aí vai. É incrível saber que alguém passou a olhar as finanças de modo diferente por causa do canal”, diz.

A jornalista ressalta que as dicas que costuma dar são simples, práticas e, muitas vezes, bem básicas. Logo, não vão mudar a vida de alguém de uma hora para outra. “Mas se a pessoa começar a colocar uma em prática aqui, outra em prática ali, e ver as finanças com um novo olhar, ao longo do tempo com certeza a vida vai mudar”, observa.

Dicas da Gabriela Forlin para começar o ano

Gastos bestas. São despesas desnecessárias que, somadas, representam uma boa quantia no fim do mês. Alguns exemplos são tarifa de conta bancária, anuidade do cartão de crédito, aquela TV a cabo que você assiste a, no máximo, dez canais (mas paga por 300).

Pesquisar e planejar tudo. Desde compras até saídas para almoçar ou jantar. Com pesquisa e planejamento, é possível economizar muito usando cupons, vouchers, benefícios do cartão de crédito e aplicativos de descontos.

Parece óbvio, mas não é. A prioridade é gastar menos do que você ganha. É importante aprender a viver em um patamar abaixo do que você poderia viver com sua renda, assim, vai conseguir juntar dinheiro. Esse dinheiro que sobrar pode ser investido, seu patrimônio vai crescer e você terá um presente e um futuro mais tranquilos.

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