Troca de livro didático usado traz economia de até 76%

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O mercado de livros usados traz benefícios para quem compra e para quem vende. A dentista Andréa Mota, 49, cujo filho de 13 anos estuda em uma escola no Padre Eustáquio, na região Noroeste de Belo Horizonte, gastou cerca de R$ 300 com a lista de material didático – uma média de R$ 33 para cada um dos nove livros. Se tivesse comprado a mesma lista com livros novos, o valor seria de, no mínimo, R$ 1.250, preço médio de cerca de R$ 139 por unidade. A economia, gerada pela venda dos livros do ano anterior e pela compra de livros usados, foi de mais de 76%. “Vendo e compro livros usados, com descontos de 50% na média e os livros sempre estão em bom estado”, explica Andréa Mota.

Se a economia é boa para o consumidor, também é positiva para quem trabalham com usados. Na livraria A Savassi Livros Novos e Usados, na região Centro-Sul da capital mineira, o faturamento dobra nos meses de dezembro e janeiro, quando a negociação dos livros didáticos é mais forte. “Para atender a demanda, sempre contratamos vendedores temporários. Neste ano, foram dois funcionários novos”, afirma o gerente da livraria, Rogério Graciano Brandão.

A servidora federal Andrea Fonseca, com duas filhas matriculadas no ensino médio, conta que consegue até 60% de desconto em livros usados no estabelecimento. “A condição dos livros é ótima, como novos. É positivo tanto na parte financeira como para o meio ambiente”, opina ela.

A dona de casa Silvia Antonia Lopes, 42, cujo filho está indo para o oitavo ano do Colégio Santa Maria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, conta que conseguiu economizar 40% com a compra e venda de material didático usado. “Economizei R$ 400, que vou usar no material escolar. Manter hoje um filho na escola particular não é fácil, deixo de viajar para fazer um investimento no futuro deles”, afirma Silvia.

Onde usar. O educador financeiro Carlos Eduardo Costa ressalta a importância dessa economia no orçamento doméstico. “O lado positivo é poder escolher, de acordo com a realidade da família, onde o dinheiro economizado vai ser utilizado. Pode ser desde uma viagem de férias até as contas do início do ano, como o IPTU”, diz. “É um momento também de ajudar os filhos a repensar a relação com o consumo e até com a sustentabilidade”, acrescenta Costa.

A estudante Ana Clara Umbelino, 12, conta que não se incomoda em utilizar livros reutilizados. “Ajuda na economia da casa, e ainda posso utilizar o dinheiro que sobra com material escolar que escolho”, diz.

WhatsApp. Pais de alunos de vários colégios de Belo Horizonte, como Padre Machado, Santa Maria e Magnum, usam grupos do WhatsApp e do Facebook para troca de livros e uniformes usados.

Aluna lucra R$ 1.000 com venda de livro

Estudante do colégio Padre Eustáquio, Thais de Mello, 18, acabou de se formar no ensino médio e combinou com os pais que poderia ficar com o dinheiro da venda de livros usados. “Fui na feira de troca e venda de livros antigos bem cedo e consegui praticamente R$ 1.000. Conservei bastante os livros durante o ano para conseguir um bom preço”, diz.

Ela conta que está usando o valor nas férias para passear e ir a restaurantes. “Agora tenho dinheiro meu para gastar”, orgulha-se ela.

Quase 40% dos pais aderem a feira realizada por escola

Mais de 900 pais estiveram presentes na feira de livros didáticos usados promovida pela biblioteca do colégio Padre Eustáquio, em dezembro de 2017.

“Nosso objetivo era ajudar os pais a economizar e criar consciência nos alunos sobre economia e sustentabilidade também”, diz a bibliotecária da escola há dez anos, Janaína de Paula, que fez o levantamento de participantes. O número representa 36% do total de alunos da instituição, que era de 2.500 em 2018. Janaína diz que, mesmo depois da realização da feira, outros pais entram em contato com a biblioteca interessados em vender ou comprar livros usados, e, por isso, a adesão à iniciativa, que começou em 2010, pode ser ainda maior.

Segundo Janaína, os pais conseguem no mínimo 50% de desconto no livro reutilizado, na comparação com o novo. “Tivemos caso de livro de R$ 180 sendo vendido a R$ 60”, afirma a bibliotecária.

A dentista Andréa Mota, mãe de um aluno do colégio Padre Machado, frequenta a feira há quatro anos. “Desde que meu filho foi para o sexto ano, e foi possível reaproveitar livros, vamos à feira do colégio. É um iniciativa importante, que mostra parceria entre pais e a escola”, diz.

“O colégio também é consciente por não trocar muitos livros de um ano para o outro. Se temos que comprar novos, isso impacta muito o orçamento final”, avalia Andréa Mota.

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