O novo vinho de luxo que teve 18 anos de gestação

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O novo rótulo da família Tommasi é estruturado, seco e possui apenas 4 gramas de açúcar residual.

Tudo começou no ano 2000. A família Tommasi comprou um terreno chamado La Groletta no famoso vinhedo de La Grola, em Valpolicella, na Itália. Eles já sabiam que queriam produzir um vinho especial a partir do lote de 4,7 hectares. E sem pressa: levaram 18 anos para lançar o rótulo, De Buris. “Não precisávamos de outro Amarone”, diz Pierangelo Tommasi, mencionando o famoso rótulo feito a partir de uvas parcialmente secas e variedades de uvas vermelhas. “Queríamos um novo produto de luxo mas, para ser justo com a região, queríamos que fosse ainda um Amarone.”

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O clã Tommasi possui uma propriedade famosa na região de Valpolicella, no nordeste italiano, fundada em 1902. Hoje conta com vinícolas também na Toscana, Puglia e Basilicata — região no sul onde se produzem vinhos de uma das minhas uvas italianas favoritas, Aglianico del Vulture. O negócio dos Tommasi conta com sete membros da família envolvidos, como Pierangelo, diretor-executivo, e Giancarlo, o enólogo. De Buris foi lançado em Veneto, região do Valpolicella e Amarone, em 12 de outubro de 2018. Pierangelo tem viajado o mundo para apresentar o vinho a enófilos de Nova York, Milão, Estocolmo, Oslo.

A primeira safra lançada do De Buris é de 2008, um ano excelente para os produtores do rótulo. Pierangelo admite que não esperava levar dez anos até o lançamento. Mas, como ele diz, o tempo é essencial. O tempo “é tudo” para o De Buris. A produção de De Buris é, obviamente, bastante limitada. A safra de 2008 resultou na produção de 5.940 garrafas e 300 magnums. Pierangelo promete uma nova safra para o próximo ano. De Buris Amarone della Valpolicella Classico Riserva 2008 é vendido por aproximadamente € 260.

“De Buris não é um vinho, é um projeto. Estamos trabalhando nele há 18 anos”, diz Pierangelo. Os primeiros oito anos foram usados para conhecer as videiras e o terroir — termo que designa a extensão de terra cultivada. La Groletta é uma vinha de prestígio na parte mais ocidental de Valpolicella, a sudoeste. É considerada um dos melhores campos da região, com longas horas de sol e brisas suaves que vêm do Lago de Garda. A propriedade está 300 metros acima do nível do mar e o solo pobre é constituído principalmente por argila e calcário.

A colheita começou no dia 5 de outubro de 2008. As variedades usadas foram: 62% Corvina, 25% Corvinone, 5% Rondinella e 8% Oseleta. Os cachos foram colhidos cuidadosamente à mão, trazidos para a propriedade e colocados em prateleiras de bambu para secar. Este é o chamado método do desbotamento. Normalmente, as uvas para um Amarone secariam por cem dias. “De Buris tem uma secagem mais longa, são duas semanas a mais”, diz Pierangelo. “Perdemos cerca de 50% do suco em vez de talvez 40-45%. Mas ganhamos na concentração de aromas.”

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A sala de secagem possui controle de umidade, mas não de temperatura. Então, quanto mais frio e seco for o clima do lado de fora, melhor. As uvas murchas foram prensadas em janeiro e o suco fermentou lentamente por um mês em grandes barris de carvalho eslavo com levedura natural. Em seguida, o vinho seria envelhecido em grandes barris de carvalho de 1500 e 3000 litros, por cinco anos. Engarrafada, a bebida permaneceu na quietude da adega Tommasi até o lançamento, no fim de 2018.

O resultado? Um vinho com teor alcoólico de 15,65%, o que é normal para um Amarone, 4 gramas por litro de açúcar residual (nível perfeito) e 5,73 gramas por litro de acidez total (nível considerado muito bom). De forma mais poética: trata-se de uma bebida encorpada e bem estruturada, com taninos suaves, camadas de sabores, aromas de fruta fresca e um final incrivelmente longo. “Este é sempre o nosso estilo”, diz Pierangelo, “os nossos vinhos nunca são bombas de maturação, jamais. São sempre estruturados e elegantes.”

Eu gosto do fato de ser um rótulo extremamente seco, com apenas 4 gramas de açúcar residual. Muitos vinhos de amarone são mais doces, embora um amarone devesse ser uma versão seca do adocicado Recioto della Valpolicella.

Vale dizer que o projeto De Buris começou com dois investimentos da família, que comprou o lote Groletta e a Villa De Buris — daí o nome do vinho. Esta é a villa mais antiga da região, datada do século XV, e será reformada no próximo ano para ser transformada em um hotel Relais & Chateaux. Mais uma razão para visitar esta bela parte da Itália.

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