O que acontece quando um avião cai em uma casa

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Na tarde da última sexta, 30 de novembro, uma aeronave de pequeno porte caiu na Avenida Antônio Nascimento Moura, zona norte de São Paulo. A região fica localizada no bairro da Casa Verde e próxima ao Campo de Marte, de onde o avião de pequeno porte modelo Cessna C210 decolou.

A bordo estavam os pilotos Guilherme Murback, de 26 anos, e Leonardo Imamura, de 43, as únicas vítimas fatais do voo que deixou ao todo 11 feridos. A viagem, iniciada às 15h55 com destino à cidade de Jundiaí, durou poucos minutos. Às 16h10 o avião se chocou, por motivos ainda desconhecidos. No local da queda mora um casal de idosos, que não se feriram e até a noite do mesmo dia, permaneciam em um bar na esquina do local.

Com o impacto, dois carros e um caminhão pegaram fogo, um explodiu, ferindo gravemente o passageiro e quebrando o braço do motorista. Os outros feridos foram pedestres que passavam pelo local e foram diretamente atingidos pelo impacto e explosão. Em menos de 30 minutos após o ocorrido, 10 ambulâncias foram mobilizadas para atender a emergência e levaram a maior parte dos pacientes para o Hospital Geral de Vila Penteado, na Zona Sul. Dois foram encaminhados para o Hospital Municipal do Tatuapé, referência no tratamento de queimaduras.

Cheguei ao local próximo das 20h, no momento em que caia uma chuva torrencial que travava o trânsito das principais vias próximas ao local. Para evitar novos acidentes, o fornecimento de energia elétrica foi cortado no bairro, e, junto com a chuva, a escuridão dificultava o trabalho dos profissionais no local. Defesa Civil e corpo de bombeiros fecharam a rua, posicionando a imprensa atrás de um cordão de isolamento a 50 metros do ponto de impacto da aeronave.

Na linha demarcada, curiosos que voltavam para casa tentavam fotografar o ocorrido; repórteres e câmeras se espremiam debaixo de guarda chuvas e alguns poucos moradores que ainda não sabiam para onde ir procuravam abrigo em um posto de gasolina na esquina.

Um vendedor ambulante chegou no local, mas rapidamente desistiu de angariar algumas vendas debaixo da chuva. "Pelo menos amanhã eu estou de folga", me disse um repórter de uma emissora de TV, ensopado e perto do grupo de jornalistas que se aglomeravam incomodados com a distância imposta pelo cordão. Já próximo das 22h, uma senhora acompanhada de seu sobrinho de oito anos me contou que morava na rua do acidente e que já estava instalada em um hotel, mas queria acompanhar de perto o que se passava por lá.

O clima era de cansaço e curiosidade. Os moradores ouviram um boato de que todos os danos seriam ressarcidos pela fabricante do avião, o que, segundo eles, foi o suficiente para que se acalmassem.

Para a Defesa Civil, o maior problema na noite de sexta-feira era definir como a retirada das fuselagens seria feita, já que até então os proprietários da aeronave não haviam sido contactados e teriam alguma responsabilidade pela carcaça. O término da operação foi marcada para a manhã seguinte. Os moradores se dispersaram e os poucos jornalistas que restavam foram aos poucos sendo expulsos pela chuva. No fim, só os restos do Cessna C210 permaneceram no local.

Avenida Antônio Nascimento Moura, na Zona Norte de São Paulo, onde um avião de pequeno porte atingiu uma casa após decolar do Campo de Marte.
Foto: Marcos Fantini/VICE

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