'Ele não teve tempo nem de se defender', diz mãe de PM morto na Quinta

O Dia

Maria Inez Magalhães

- Soldado era lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus, e estava de folga passeando com a namorada e duas crianças -

Rio - Na tarde deste domingo, um policial militar foi morto após reagir a um assalto na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. “Ele estava com uma criança no colo e não teve tempo nem de se defender. Só teve tempo de colocar a criança no chão e tentou puxar a arma, mas já tinham três atirando nele. Por que isso? Num parque, gente, que tinha que ter segurança?”. O desabafo, emocionado, é de Fátima Pires, mãe do soldado PM Filippe Pires Moreira, de 25 anos.

Ele era lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus, e estava de folga passeando com a namorada e duas crianças. Elas não se feriram. O enterro deve acontecer nesta terça-feira , em Sulacap. Flilipe é o quinto policial morto em seis dias na Região Metropolitana do Rio.

“Eu queria Direitos Humanos também para os policiais porque ninguém pensa neles, pensa que têm família, pai, irmão, mãe. Destruíram uma familia. Só tem Direitos Humanos para vagabundos. Policiais são gente também e estão lutando pela gente e ninguém reconhece isso. Acham que todos são corruptos. É muito difícil”, disse Fátia chorando.

Ela lembrou outros casos recentes de policiais mortos. “Sexta, foi enterrado o soldado Jesus (André de Jesus Silva, de 36 anos, também lotado na UPP da Cidade de Deus que morreu em serviço). Hoje, vão enterrar outro e, amanhã, é meu filho. E daqui a pouco os criminosos vão ser soltos para matar a família de outros”, lamentou ela.

O irmão de Filipe, Artur Pires Moreira, disse que o irmão amava ser policial. “Ele gostava da profissão, do que fazia, nunca tentou ser covarde e se virar contra a bandidagem que assola nosso Rio de Janeiro. Ele sabia que sozinho não ia conseguir mudar o mundo, mas ele fazia de coração, vestia a farda, tinha o sonho de ser do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e estava treinando pra tentar ser do Bope. Ele falava que nasceu pra isso”, lembrou Artur.

Ele lamentou a morte do irmão e disse que Filipe será mais um na estatística da violência no Rio. “Ele é mais uma estatística. O estado é omisso e a dor é do familiar”, desabafou ele contando que o PM era mais que um irmão. “Ele era muito amigo, protetor, me aconselhava para o que era certo e o que era errado, opinava nas minhas escolhas, sempre me defendeu em tudo, esteve do meu lado como irmão mais velho e era querido por todos”, disse Artur.

“Minha tristeza e dor são imensuráveis. Ele morreu tentando reagir a uma assalto. Minha ficha ainda não caiu porque eu morava com ele e não sei como vai ser dqui pra frente. Era um cara muito forte, um guerreiro mesmo. Está muito difícil de aceitar o que aconteceu com ele”, contou Artur.

“Eu sei que o que eu vou falar aqui não vai mudar a vida de ninguém e nem de quem governa nosso estado e nosso país, mas os policiais morrerem igual a formigas é comum. Nunca pensei que fosse acontecer com meu irmão que era sempre atento a tudo”, disse ele.


view O Dia