UMA NOVA IDENTIDADE

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Reforma redistribui ambientes e colocou em destaque elementos originais do apartamento

NovaNa sala de jantar, o móvel que já existia no apartamento antigo foi incorporado ao projeto e hoje guarda louças e a coleção de toy art. O piso de tacos é original

O apartamento fica em um prédio que não conta com área de lazer nem garagem. Localizado na Vila Buarque, área central de São Paulo, o imóvel tinha antes da reforma a disposição clássica de um tempo onde não havia a intenção de integrar ambientes. Ainda assim, o lugar atraiu os novos proprietários por sua estrutura sólida típica das construções de antigamente. “Eles queriam usufruir da atmosfera do centro, e ter um espaço para trabalhar e brincar com as filhas. Eles não tinham interesse em imóveis novos, com varanda gourmet e área de lazer, eles estavam em busca de algo com mais identidade”, diz Tito FIcarelli, do Arkitito, escritório responsável pela reforma.

Como é de praxe em imóveis antigos, as instalações hidráulicas e elétricas foram refeitas. Para remanejar os ambientes de acordo com a necessidade da família, as paredes foram quase todas abaixo. “Fizemos um grande salão que hoje contempla sala de estar, jantar, e escritório integrados. Antes, tudo isso ficava dividido por paredes. Usamos também a área que antes pertencia a um grande banheiro para fazer dois, um para a suíte e um para lavabo”, explica Ficarelli. Como o imóvel fica em um prédio de esquina, e a planta segue o desenho da rua, foi preciso lançar mãos de ideias criativas para que as quinas que se formam em ambientes como a cozinha não atrapalhassem. “Perder espaço não era uma alternativa, então o jeito foi incorporar isso ao projeto. Na cozinha, por exemplo, instalamos nessa área um armário com prateleiras feito sob medida que funciona como apoio para a bancada de trabalho e também conversa bem com a decoração”, comenta o arquiteto.

Na sala de jantar, um dos móveis de mais presença da casa ocupa boa parte da parede e guarda a coleção de toy art dos moradores. A peça antiga, já estava no apartamento quando os atuais proprietários compraram o imóvel, e no período da obra quase saiu de cena. “Durante a reforma pensamos em todas as alternativas possíveis, mas a decisão de deixar essa peça, para mim, foi muito acertada. Sozinha ela já deixa a sala de jantar muito legal”, diz Ficarelli. No quarto das crianças, outra solução veio do que já existia na área: os armários tinham camas embutidas, que foram retiradas, mas deram lugar a duas escrivaninhas feitas de compensado de madeira, o mesmo tipo de material usado na marcenaria da cozinha.

A escolha dos materiais que se espalham pelos 170 m² do apartamento não foi feita por acaso. Algumas paredes foram descascadas e pintadas de branco. Na cozinha, madeira e serralheira preta, cor que também aparece nas janelas. No mobiliário, peças de design simples e criativo. “A ideia era fazer algo que não tivesse cara de projeto planejado, isso deu a atmosfera viva que os clientes queriam.”

Para arrematar tudo e dar mais vida à casa nova, folhagens se espalham por quase todos os cômodos.

No fim das contas, o apartamento hoje pouco se parece com o que existia ali, mas sua arquitetura antiga se mostra nas quinas, vigas e tijolos aparentes. Da varanda, o centro da cidade. Nada mais original.

Nova 1No estar, pufe da Oppa e janelas pintadas de preto. As revistas dos moradores ficam no chão, assim como alguns quadros, o que deixa o ambiente mais descontraído.

Nova 3Uma das quinas da planta foi usada para acomodar um armário com prateleiras para a cozinha.

O espaço entre o móvel da sala de jantar e a porta usado como escritório.

Nova 5Na sala de TV, plantas dão mais vida ao ambiente repleto de luz natural.

Nova 6Uma varanda estreita percorre todo o apartamento, com acesso pela sala de TV.

Nova 7Madeira e serralheria preta da Metalcema na cozinha. O tampo da mesa é de granito.

Nova 8Vista da cozinha, com azulejos instalados em metade da parede, o que deixa o ambiente mais leve.

Nova 9No quarto das crianças, o espaço onde antes ficavam as camas ganhou escrivaninhas de compensado de madeira.

Matéria publicada pela jornalista: Natália Mazzoni do, O Estado de São Paulo em 02 de outubro de 2016

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