Elymar Santos comemora aniversário com grande show no Vivo Rio nesta terça

O Dia

Ricardo Schott

- Cantor cuida da produção, da direção e do roteiro da apresentação. “Comando o barco e também remo”, diz -

Rio - Elymar Santos cantou “eu e você, a dois, a três...” no sucesso ‘Escancarando De Vez’, uma das músicas pelas quais ele costuma ser bastante lembrado. Mas isso é só nos versos da canção: na hora de montar seus shows, não tem nada disso de a dois, a três, não.

“Gosto de comandar o barco e também de remar. Sempre foi assim e, no dia em que for diferente, não vai dar certo”, assevera o cantor, que produziu e dirigiu sozinho o show comemorativo de 30 anos da ocasião em que alugou o saudoso Canecão (“não são 30 anos de carreira”, explica), e que leva para o palco do Vivo Rio amanhã, no dia de seu aniversário de 64 anos.

Envolvido com cada detalhe, Elymar chamou pessoalmente os convidados da apresentação, que vai virar DVD duplo — e contará no palco com Alcione, Diogo Nogueira, Fundo de Quintal, Leny Andrade, Padre Omar, Altay Veloso, Neguinho da Beija Flor, Mumuzinho, a Velha Guarda da Imperatriz Leopoldinense, os dançarinos da academia Jayme Aroxa. E, acredite, o número de convidados pode aumentar.

“É o show mais difícil que eu já fiz na vida”, conta Elymar. Ele convidou também nomes como Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho, mas esbarrou nas agendas dos amigos famosos.

“Ivete vai gravar uma voz para o CD e devemos fazer pelo menos um clipe na casa do Zeca. Chamei o Alexandre Pires também. Ele me liga toda hora: ‘E aí, meu irmão? Tudo certo? Tô só tentando contornar umas coisas aqui, mas vamos vendo’. A Alcione me ligou hoje: ‘E aí? Dia 11 tô lá!”, diverte-se o cantor-diretor-produtor, que agora está quebrando a cabeça para fazer o roteiro da apresentação.

“Não sou só um cara que vai lá no palco e canta, não posso fazer um show que é só um samba do crioulo doido. Meu repertório tem enredo. O show tem começo, meio e fim, ele conta uma história”.

AQUELE LOUCO

No dia 12 de novembro de 1985, Elymar subiu no palco do Canecão pela primeira vez para apresentar seu show ‘Assim Somos Nós’, após gastar o equivalente a 40 milhões de cruzeiros para alugar o palco. Até então, Elymar cantava em bares da Ilha do Governador, havia gravado dois compactos pelo selo Beverly (hoje vendidos por uma boa grana no mercado de usados) e percorrer o circuito de programas de calouros.

“Fui no Flávio Cavalcanti, Silvio Santos, Chacrinha, todos os programas. Me esfregava na cara de todo mundo na TV, mas não dava certo”, conta Elymar, que antes de alugar o Canecão já tinha feito o mesmo no Teatro da Praia, em Copacabana, sem muito sucesso.

“Era o palco das grandes estrelas, antes do Canecão. Lotei a casa com meu público, mas não tive muita repercussão. Saíram duas linhas no jornal. De qualquer jeito, o que eu queria era cantar”.

A estreia na antiga cervejaria de Botafogo rende assunto para Elymar até hoje. “Fui pesquisar reportagens sobre o show para colocar num telão para a apresentação do dia 11 e não sabia que tinha saído tanta coisa”, diz.

O esforço valeu: o cantor lotou a casa com os fãs que costumavam ir às suas apresentações em bares da Ilha do Governador. No fim do show, foi homenageado no palco por Maneco Valença, produtor do Canecão, que o convidou para começar uma temporada lá.

“Ele falou: ‘Nasce uma estrela’. E eu ali ouvindo isso! Quando ele me chamou no palco, achei que tivesse feito alguma m..., acredita?”, brinca o cantor, que havia vendido todos os ingressos do seu show mas, poucos dias antes, temeu que muitos amigos e fãs tivessem comprado os tíquetes por pena e nem fossem ao Canecão.

“Fiquei com tanto medo de a casa ficar vazia que gastei mais dinheiro e paguei uma propaganda do meu show no horário nobre da Rede Globo. No dia da apresentação, eu pelo menos já era conhecido como ‘aquele louco que alugou o Canecão’”, recorda. E como foi o dia seguinte? “Eu só sabia que não daria para continuar cantando nos bares. Voltei neles na semana seguinte para me despedir”.

Quando o Canecão existia, era de lei Elymar agendar shows importantes de sua carreira por lá. “Cantava até nos aniversários da casa, convidado por eles”. Fechado em 2010 e hoje ocupado por manifestantes, o local foi visitado em 12 de novembro do ano passado pelo artista, que conseguiu realizar uma missa rezada pelo amigo Padre Omar no local.

“Fui alguns dias antes falar com o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (dona do terreno do Canecão). Minha ideia era fazer um show na praça em frente ao Canecão. O reitor me recebeu e disse que tinha muito orgulho da minha história e que eu tinha todo o direito. E permitiu que eu fizesse a missa lá. Foi mais um gol que eu marquei”, comemora Elymar, lembrando que, após ‘Assim Somos Nós’, a casa abriu-se para nomes mais populares da música brasileira.

“Antes, o único nome ‘povão’ que cantava lá era Roberto Carlos. Era o palco de Gal Costa, Caetano Veloso, Chico Buarque, Maria Bethânia. Fui o responsável pela entrada do popular lá. Abri muitas portas. Depois de mim, terminou o preconceito”, recorda Elymar.

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