Com risco de serem extintas, capixabas criam abelhas especiais sem ferrão

Folha Vitória
Grupo de meliponicultores do Espírito Santo encontrou na abelha sem ferrão a solução para criação da espécie em áreas urbanas
Foto: Divulgação

O instituto americano US Fish and Wildlife Servive (FWS), o equivalente ao Ibama brasileiro, divulgou que as abelhas agora fazem parte da lista de espécies em extinção. A pesquisa aponta que o número de insetos vem diminuindo consideravelmente nos últimos anos e faz um alerta a respeito do assunto.

Mas qual o impacto da extinção das abelhas para o mundo? Quem pensa que a única função das abelhas é produzir mel está enganado. Na realidade, as abelhas são responsáveis por grande parte da polinização do Reino Animal. Só para se ter uma ideia, dois terços da comida produzida no mundo vem diretamente ou indiretamente de vegetais que precisam de abelhas para se reproduzirem.

Das quase 25 mil espécies de abelha existentes, sete entraram para o grupo de espécies em extinção. As mudanças climáticas, o desequilíbrio ambiental e os avanços da urbanização são as principais causas da preocupante observação do FWS. Apicultores de todo o mundo têm reclamado da redução das populações do inseto. De 2012 para 2013, 31% das abelhas dos Estados Unidos simplesmente desapareceram. Na Europa, esse número chegou a 53% e no Brasil, quase 30%.

O mel produzido pelas abelhas sem ferrão possui 10% menos açucar
Foto: Robson Barbosa

Abelhas sem ferrão

Mas um grupo de meliponicultores do Espírito Santo encontrou na abelha sem ferrão a solução para criação da espécie em áreas urbanas. De fato, existe um grande paradigma que as abelhas são perigosas e devem ser evitadas, por isso, é crescente o número de criadores da abelha sem ferrão não só no Estado, como em todo o Brasil.

Como o ferrão não oferece risco à população, elas não precisam de fumaça para ser acalmadas. Além disso, o apicultor não precisa utilizar equipamento especial, tornando a criação da espécie muito mais simples.

Uma das peculiaridades das abelhas sem ferrão é que, diferente das abelhas africanas, as mais utilizadas na apicultura brasileira, elas não produzem o mel em favos, mas nos chamados "potes". Além do mais, enquanto um litro de mel convencional é vendido em média por R$ 30, um litro do mel de abelha sem ferrão pode chegar a RS 150.

A produtividade do mel produzido pelas abelhas sem ferrão é menor em quantidade, comparadas a maioria das espécies, mas possui 10% menos de açúcar. Vários dos criadores mantêm a colmeia em quintais e sítios, bem próximos de pomares, inclusive na Grande Vitória, tudo para aumentar a produtividade das frutas e também o sabor.

Robson Barbosa, secretário executivo da associação, afirma que o grupo tem como objetivo levar um maior conhecimento sobre o tema para a população. “Entendemos que todos podem contribuir com a proteção das abelhas, e conseqüentemente, com a manutenção da natureza”.

Associação Capixaba

A Associação dos Meliponicultores do Estado do Espírito Santo (AME-ES) foi criada em 2016 e conta com 40 associados. Parte destes associados já se reunia para discutir o assunto e a possibilidade de ampliação da cultura no Estado nos últimos anos.

Uma das diretrizes da associação é dar atenção especial a espécie Melipona Capixaba, natural do Espírito Santo, que atualmente encontra-se ameaçada de extinção.

A abelha sem ferrão não oferece risco a população
Foto: Divulgação

Mini Curso

Para uma maior divulgação do assunto, a associação organizou um mini curso sobre o tema. O evento acontecerá no dia 15 de outubro, no Parque Botânico da Vale, em Jardim Camburi, Vitória. O curso terá duração de 3 horas e será ministrado por Thiago Branco, acadêmico em Ciências Biológicas e meliponicultor.

Quem quiser mais informações, pode acompanhar a página da Associação no Facebook: Ame-ES.

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