Reurbanização do Sapé / Base Urbana + Pessoa Arquitetos

Reurbanização do Sapé / Base Urbana + Pessoa Arquitetos

Arch Daily
© Pedro Vannucchi

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  • Arquitetos: Base Urbana, Pessoa Arquitetos
  • Localização: R. Célso Lagar - Jardim Ester Yolanda, São Paulo - SP, Brasil
  • Área: 82000.0 m²
  • Ano Do Projeto: 2014
  • Fotografias: Pedro Vannucchi, Courtesy of Base Urbana & Pessoa Arquitetos
  • Autores : Catherine Otondo (Base Urbana), Marina Grinover (Base Urbana), Jorge Pessoa (Pessoa Arquitetos)
  • Equipe: Lívia Marquez, Matheus Tonelli, Patricia Mieko, Paula Saad, Julie Trickett, Thaís Marcussi, Juliana Barsi, Tânia Helou, Tiago Testa, Florencia Testa, Luisa Fecchio, Marinho Velloso, Rebeca Grinspum, Cadu Marino, Daniel Guimarães
  • Paisagismo : Base Urbana + Pessoa Arquitetos e Oscar Bressane
  • Drenagem: Geasanevita Engenharia e Meio ambiente
  • Contenções: Geobrax
  • Estrutura : FT Oyamada
  • Instalações: DMA Instalações
  • Orçamentos: Nova Engenharia
  • Coordenação E Gerenciamento : Consórcio Domus
  • Construção: Consórcio Engelux Galvão, Etemp Croma
  • Gerenciamento Social : Cobrape
  • Coordenação Geral : São Paulo Municipal Housing Secretariat
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Desenho Urbano

A reurbanização do Sapé é uma iniciativa da Secretaria da Habitação Municipal de São Paulo. Atende 2500 famílias em condições precárias de moradia no Bairro do Rio Pequeno. O conceito que estrutura o partido geral da urbanização da favela do Sapé é a costura urbana entre as duas margens do córrego a partir do desenho de espaços públicos. A leitura das condições físicas e sociais da comunidade denota uma descontinuidade urbana em vários níveis de precariedade.

© Pedro Vannucchi © Pedro Vannucchi
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Assim o projeto constitui-se como ferramenta de inclusão na medida em que suas ações desenham oportunidades de conexão, encontro social, vivência e troca no espaço público urbanizado. Ao unir em desenho urbano, infraestrutura e habitação, o projeto cria espaços para melhorar a mobilidade urbana, a qualidade ambiental, a moradia, o lazer, o trabalho, possibilitando uma consciência de pertencimento que colabora para a manutenção e a melhoria da vida na cidade.

Remoções Remoções
Implantação Implantação

Os principais objetivos da urbanização são a remoção das famílias em situação de risco; a implantação de infra estrutura urbana para todas as moradias, e a construção de novas residências na própria área. Desta forma, foi a partir das áreas remanescentes das remoções obrigatórias que estudou-se as possíveis áreas de assentamento vinculadas ao caminho verde junto ao córrego do Sapé. A reurbanização criou três áreas para novos edifícios estruturando também os pontos de conexão da comunidade com o bairro, como junto às escolas potencializando o espaço público.

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Corte Corte
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O projeto do sistema de drenagem do córrego do Sapé adotou como referência o projeto implantado pela SVMA a montante do córrego. Ao desenvolver a geometria das seções do canal procuramos respeitar a topografia original do leito sem alterar substancialmente cotas de fundo e suas larguras, realizando um desenho com várias seções hidráulicas (em T, mista e reta). Esta estratégia aproxima visualmente o nível de água do passeio. Em ambas as margens a área non aedificandi foi utilizada para rearborizar o caminho, criar praças de encontro e atividades de lazer. Em função da baixa declividade de todo o caminho foi proposto uma ciclovia ao longo da margem esquerda que conecta-se à ciclovia projetada para a Av. Politécnica e ao C.E.U. Butantã permitindo uma integração longitudinal urbana aos 1800 metros de passeio.

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Corte Corte
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No sentido transversal, o projeto estabeleceu duas novas conexões viárias, melhorou as vielas de pedestre e o acesso as casas remanescentes, e construiu sucessivas pontes para facilitar a transposição do córrego. Todas as ruas internas serão compartilhadas com pavimento intertravado, com guia rebaixada, como nos Woonerf ingleses priorizando o pedestre, e o carro circula controlado por elementos de desenho urbano e paisagismo.

O projeto proporciona uma relação de permeabilidade entre as áreas públicas, coletivas e privadas. Frente a altas declividades e a necessidade de contenções construiu-se um elemento físico que articulou estes lugares, deu unidade ao passeio sem ser uma segregação e resolveu o sistema de contenções: uma mureta em concreto de até 120cm.

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Ele conteve, em arrimo, as bases das construções junto ao córrego e ao caminho verde, acomodou jardins, escadas e rampas no desenho urbano, e ao mesmo tempo estabeleceu o limite dos condomínios de novas edificações. Com esta estratégia de desenho e construção o projeto urbano procurou transpor as diferentes escalas da intervenção levando os conceitos do espaço público de mobilidade e lazer para a borda das construções, para dentro das vielas e das pequenas praças internas conformadas com as obras de infraestrutura.

O diagnóstico social revelou a precariedade econômica da população e as ações urbanísticas voltaram-se também para levantar vocações e oportunidades. Nesta direção, o projeto urbano considerou a diversidade de usos e criou espaços ao longo do caminho verde para que usos relacionados aos serviços e comércios existentes e ainda aos novos de lazer e a ciclovia, possam constituir oportunidades de renda e ferramentas urbanas de integração física e social. Mesmo durante as obras já foi possível perceber que o alargamento dos passeios oferece esta oportunidade.

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A Escala do Edificio

O projeto de arquitetura para a favela do Sapé está amparado por duas premissas assim definidas:

Da unidade para o edifício: O projeto contempla sete tipologias de unidade habitacional: dois dormitórios, três dormitórios, duplex e unidade de acessibilidade integral, entre 50 e 46m2, além das unidades de comércio e serviços. A quantidade de cada tipo foi definida com o levantamento das famílias ao longo do trabalho. O sistema construtivo adotado foi otimizado com a padronização dos vãos para portas e janelas, das paredes hidráulicas com prumadas fixas e proporcionou a ventilação cruzada. A circulação horizontal avarandada coletiva transpôs para o pavimento um espaço de convivência existente nas vielas da favela, criando a oportunidade de troca entre as famílias de um mesmo andar.

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Planta 1 Planta 1
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Da cidade para o edifício: A separação estrutural dos volumes da circulação horizontal, da vertical, e do volume das unidades nos permitiu criar uma flexibilidade para implantar os edifícios. Resultou das diversas articulações entre estes três elementos uma implantação que acomodou-se a cada particularidade de cada terreno, da relação com o entorno, da situação do lote na paisagem. Ao incorporarmos a paisagem do caminho verde com sua vegetação nos vazios entre os volumes integramos estes espaços modulando a passagem das áreas públicas para as privadas, neste sentido procuramos sempre proporcionar uma entrada pela rua e outra pelo caminho verde para todos os condomínios. Neste exercício de acomodação topográfica, o edifício pousa no terreno originando unidades no subsolo mais ligadas espacialmente ao caminho verde.

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