Roberto Jefferson foi atração do jantar de Temer

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Depois de Marcela Temer, que recepcionou os convidados ao lado do marido na entrada do Alvorada, a pessoa que mais chamou a atenção no jantar oferecido por Michel Temer aos aliados na noite deste domingo foi Roberto Jefferson. Ele não pisava os mármores palacianos de Brasília havia mais de 11 anos, desde que pendurou o mensalão nas manchetes, em 2005.

Jefferson preocupou-se em documentar minuciosamente o seu retorno. Tirou fotos desde o instante em que chegou, perto das 19h, até o momento em que deixou a residência presidencial, pouco antes das 23h. Aos pouquinhos, o algoz do PT vai reconquistando um lugar na cena política. Mesmo sem mandato, Jefferson havia escalado na semana passada a tribuna da Câmara. Discursara numa sessão em homenagem ao centenário de Ulysses Guimarães.

Vivo, Ulysses gostava de dizer que “político é como cozinheiro: quem faz o melhor bocado nem sempre o come.” Jefferson, por exemplo, jacta-se de ter levado ao caldeirão os principais ingredientes da mistura em que o PT se dissolve. E não comeu senão o pão que satã amassou. Teve o mandato passado na lâmina, foi condenado a 7 anos de prisão e amargou 14 meses de cana dura.

A cozinha do Alvorada não chega a proporcionar experiências gastronômicas transcendentais. Entretanto, para alguém com o histórico de Jefferson, um ex-aliado de Lula que havia cuspido num prato em que já não podia comer, o repasto oferecido por Temer teve gosto de ressurreição. Depois de padecer as provações, Jefferson está novamente pronto para sofrer na própria pele vantagens insuportáveis.

Jefferson foi, por assim dizer, reabilitado pelo Supremo Tribunal Federal, que concedeu no último mês de março um indulto de sua pena. Reassumiu a poltrona de presidente do PTB federal, que cedera temporariamente à filha, a deputada Cristiane Brasil (RJ). Sob sua batuta, o partido segue a partitura do Planalto. Ajudará a aprovar a emenda constitucional que congela os gastos federais por 20 anos, prato principal do jantar de domingo.

O pajé vitalício do PTB compartilha da tese do governo, segundo a qual a alternativa ao ajuste fiscal é o caos. Horas antes do jantar do Alvorada. Jefferson levara a ar, no blog que mantém na internet, uma nota que ecoava notícia sobre um estudo feito pela Consultoria Tendências.

Jefferson anotou: “O estudo revela que haverá expansão da pobreza mesmo que o PIB do Brasil volte a crescer. E os petistas ainda têm a cara de pau de falar em ‘ataque a direitos sociais’ e em ‘retrocessos’, além de outras mentiras. Foi o PT que demitiu 12 milhões de brasileiros de seus empregos, e rasgou a CLT. Para a esquerda, trabalhador é mera retórica.”

Há dois meses e meio, quando um juiz do Distrito Federal transformou Lula em réu no processo em que ele é acusado de obstruir a Justiça, Jefferson se colocou nos sapatos do ex-aliado. “Não é fácil o que ele vai passar, não. Eu já passei por isso e sei bem. É ruim.”

Como que antevendo para Lula um desfecho semelhnate ao seu, Jefferson se absteve de tripudiar. “Ele tem meu respeito como ser humano. Não é uma satisfação, não desejo isso para ninguém. Não quero julgar ninguém, desejo a ele força para que possa enfrentar isso de cabeça erguida.”

Desde então, Lula foi indiciado pela Polícia Federal noutro inquérito, amargou uma denúncia da força-tarefa de Curitiba e foi reenviado ao banco dos réus, dessa vez por Sergio Moro, o juiz da Lava Jato. Às voltas com o petrolão, que é uma espécie de mensalão hipertrofiado, Lula está mais próximo da carceragem paranaense do que de uma nova candidatura presidencial.

Quanto a Roberto Jefferson, voltou a frequentar os salões do poder, agora sob a administração seminova de Michel Temer. Ainda não provou do “melhor bocado” de que falava Ulysses Guimarães. Mas o seu PTB já controla o Ministério do Trabalho, terceirizado ao deputado licenciado Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

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