Salvei o Brasil. Obrigado

Zero Hora

Vou agora fazer um favor a 204 milhões de seres humanos: vou salvar o Brasil.

Todos sabemos que o caminho mais curto e reto para a salvação é a educação, certo?

Certo.

Pois sei exatamente o que faria com a educação no Brasil: estatizaria e privatizaria tudo. Seria liberal e socialista. Uma miscigenação de Thatcher com Fidel.

Já explico.

É que o governo, ao contrário do degas aqui, não sabe o que fazer com a educação. O governo acredita que mudar o currículo fará alguma diferença. Uma tolice. Pode tirar aula de artes, pode tirar aula de filosofia, pode tirar até português e matemática, não tem nenhuma importância.

Educação se faz com bons professores trabalhando em boas escolas. Professores remunerados com decência, com tempo para se preparar e preparar as aulas.

E cobrados por seu desempenho, fundamental sublinhar.

O ato de acrescentar uma disciplina ao currículo não faz com que ela seja bem ensinada ou bem aprendida. Se você tiver um ótimo professor de OSPB, provavelmente vai adorar OSPB; se tiver um péssimo professor de português, provavelmente vai detestar português.

Mas como tornar competentes os professores e agradáveis as escolas?

Vou dizer agora.

Anote, Temer.

Anote, Sartori.

São duas medidas básicas:

1. Tornaria proibidas as escolas privadas em todo o país.

2. Tornaria proibidas as universidades públicas em todo o país.

Sei que você está esbravejando, homem de pouca fé. Mas pense: se todas as escolas de Ensino Básico e Fundamental fossem públicas, o rico e o remediado, que hoje botam seus filhos em escolas particulares, se ocupariam da escola do Estado, se empenhariam para torná-la boa, prestariam atenção às condições dos professores. Quanto você gasta com a escola particular do seu filho? Quanto disso estaria disposto a reverter para uma escola pública, se seu filho estivesse nela? Abra a possibilidade de interação da sociedade e de doação de pessoas físicas e jurídicas, faça a escola participar diretamente da comunidade e vice-versa, e você verá que em cinco anos teremos as melhores escolas da América Latina. Não deixo por menos: as melhores. Com ricos, pobres, negros, brancos, todos estudando juntos. É com essa faixa da população que o Estado mais tem de se preocupar: com as crianças. Com a escola.

Quanto à universidade, o rico que a pague com sonante, o pobre que a pague com trabalho. Para que o Mais Médicos, por exemplo, se há dezenas de milhares de estudantes de Medicina que podem financiar seus cursos trabalhando para o Estado, depois de formados?

Assim, o Estado compraria bolsas de estudo nas universidades privadas para repassá-las a alunos de todas as áreas. Depois de formados, os estudantes pagariam o curso trabalhando por algum tempo no funcionalismo público. O Estado teria à sua disposição engenheiros, advogados, jornalistas, arquitetos, até sociólogos, se descobrisse o que fazer com eles.

Presto! Em um texto de 40 linhas, está resolvido o problema da educação e do serviço público ao mesmo tempo, e com isso o problema da segurança, das finanças etcetera, etcetera.

Estou pronto para salvar o Brasil. Só falta, agora, o Brasil querer ser salvo por mim.

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