Captação de leite sobe no Estado, preço ao consumidor cai

Zero Hora

Vilão do orçamento do consumidor nos últimos meses, o leite longa vida agora é um dos benfeitores que ajuda a segurar a inflação. Como o terceiro trimestre é o pico da produção no Estado, os preços passam por período de queda. O valor médio detectado pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) na terceira semana de setembro é de R$ 3,07, retração de 20% ante dois meses atrás.

A maior oferta tem relação com a recuperação das pastagens, que na primeira metade do ano sofreram por razões climáticas, e o maior entusiasmo dos criadores com a melhora da remuneração, diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Alexandre Guerra.

A grande queda na produção no segundo trimestre, período que normalmente já é de entressafra, foi demonstrada em números pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre abril e junho, a quantidade de leite cru captada no Estado foi de 708,2 milhões de litros, 13% inferior a igual intervalo do ano passado e o menor volume para o período desde 2011.

Os dados do Sindilat-RS indicam que, no terceiro trimestre, a média de captação das indústrias está em aproximadamente 14 milhões de litros por dia, cerca de 5% acima do verificado entre julho e setembro de 2015. No segundo trimestre deste ano, diz Guerra, a média girou em torno de 11 milhões de litros. A animação dos pecuaristas, porém, será um pouco menor.

– O próximo passo é a queda dos preços ao produtor – lembra Guerra, lembrando que nesta quarta-feira haverá reunião do Conseleite para sinalizar os valores pagos aos criadores pelo produto entregue em setembro.

A grande redução na oferta de leite este ano no Estado e no país teve dois fatores principais. Primeiro, a baixa rentabilidade da atividade em 2015, o que forçou criadores a diminuírem rebanho ou cortar gastos principalmente em alimentação, devido à alta de insumos como ração, baixando a produção por animal. Este ano também pesou o fator climático, como falta de chuva em regiões produtoras do Sudeste e do Centro-Oeste, e excesso de frio no Sul, quadro que atrasou o desenvolvimento das pastagens.

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