Chantagem pela webcam: como cibercriminosos fazem laptops ganharem vida própria

Chantagem pela webcam: como cibercriminosos fazem laptops ganharem vida própria

Canaltech

Por Gary Davis*

Todos nós conhecemos histórias de objetos que adquirem vontade própria. Filmes como Toy Story mostram o peso cultural dessa ideia e contos da mitologia grega sobre objetos transformados em humanos mostram que se trata de uma fantasia antiga. Entretanto, nos dias de hoje, a tecnologia pode fazer contos de fadas parecerem realidade. E se o laptop, aquele dispositivo comum que usamos para praticamente tudo, ganhasse vida própria?

Obviamente, o laptop não é de fato um ser animado, mas uma nova ameaça à segurança cibernética faz com que isso pareça possível. O malware de computadores “Delilah” permite que os criminosos acessem as informações mais confidenciais dos usuários e tirem fotos de seus momentos íntimos usando o próprio computador das vítimas.

Funciona da seguinte maneira: o primeiro contato acontece inadvertidamente em sites de conteúdo adulto e jogos, onde a ameaça é baixada através de pop-ups maliciosos e outros métodos sem que o usuário se dê conta. A partir daí o malware examina o computador em busca de informações confidenciais. Ele procura detalhes de família, dados sobre o local de trabalho e segredos constrangedores. Em seguida, os criminosos cibernéticos visualizam todos esses dados combinados em um só lugar. Depois que descobrem o suficiente, eles passam a chantagear a vítima. Não é mágica: é o malware que transforma os computadores em uma caixa de Pandora.

Essa ameaça realmente faz com que os laptops pareçam ter vida própria. Isso porque o Delilah pode “sequestrar” webcams para registrar momentos íntimos da vida do usuário como se a máquina o estivesse espiando. O malware tira capturas de tela regulares do laptop do usuário, documentando sites, e-mails, transações bancárias e contas de usuários.

Tudo isso parece uma engenhoca de um filme de espiões – o que não está muito longe de ser verdade. O malware tem a finalidade de recrutar pessoas com informações confidenciais dentro de organizações ou extorquir pessoas influentes. Trata-se de um alvo valioso e extremamente direcionado. No entanto, o vírus só está sendo distribuído em grupos criminosos extremamente fechados. Portanto, é bastante improvável que você se depare com essa ameaça. Bandidos comuns não têm acesso a ela, e a maioria das pessoas não deve ser um alvo.

Ao mesmo tempo, todos devem ter conhecimento desses métodos. A conscientização é importante, e há táticas de crime cibernético semelhantes menos avançadas sendo empregadas na rede.

Veja o que você pode fazer para se proteger diariamente enquanto usa seus dispositivos:

  • Não faça downloads de arquivos desconhecidos. Para que o malware possa causar danos, primeiro ele precisa ser instalado no computador. Evite o problema na raiz. Não clique em pop-ups suspeitos ou em links desconhecidos.
  • Observe se o computador apresenta atividade estranha. Algumas ameaças são perceptíveis. Neste caso, o malware Delilah muitas vezes causa falhas no computador da vítima devido à enorme quantidade de capturas de tela que tira. Mensagens de erro também são comuns quando o sequestro de webcams ocorre. Na próxima vez que seu computador apresentar comportamento estranho, consulte um técnico para verificar se há malware.
  • Tome cuidado com informações confidenciais. Reduza os rastros digitais que você deixa no seu computador. Não armazene informações confidenciais no dispositivo se puder evitá-lo e realize varreduras periódicas dos dispositivos como parte da limpeza de dados: encare isso como uma “faxina digital” que você deve fazer frequentemente.
  • Cubra sua webcam quando ela não estiver em uso. Essa dica não requer muito: basta um pedaço de fita adesiva. Ainda assim, essa simples precaução pode ser importante, pois, além do malware Delilah, existem muitas táticas de sequestro de webcams na rede que os criminosos cibernéticos estão usando. Proteja-se e acabe com a alegria dos espiões.

*Gary Davis é especialista-chefe em segurança do consumidor

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