Ricardo Young vê desgaste na imagem de Marina Silva e diz que eleitor está mais maduro

Ricardo Young vê desgaste na imagem de Marina Silva e diz que eleitor está mais maduro

R7
Candidato tem questões ambientais como o foco de sua campanha Júlio Vilela/20.02.2009/Estadão Conteúdo

O candidato a prefeito de São Paulo Ricardo Young (Rede) recebeu a reportagem do R7 para uma entrevista exclusiva em seu coworking no Jardins na última semana. Em mais de uma hora de conversa, ele apresentou suas propostas para a cidade, alfinetou o prefeito Fernando Haddad (PT) e justificou a pequena participação da ex-senadora Marina Silva, principal expoente de seu partido, nas eleições paulistas.

Cercado por jovens em seu espaço de trabalho, o empresário apontou as discussões sobre sustentabilidade e conexões em rede como o cerne de sua possível gestão. Para ele, não há como pensar o município sem levar em consideração a qualidade de vida da população.

Leia os principais trechos da entrevista:

R7: O senhor usa muito a palavra "conexão" em seu plano de governo. Qual é a melhor definição para ela?

Ricardo Young: A Rede nasceu dessa questão. Em 2010, nós fomos ver tudo o que estava acontecendo no mundo com relação a novas formas de se governar. E os jovens nas ruas dizendo: "vocês não nos representam". Uma das questões em que a democracia está implícita é que o sistema de representação será pelas tecnologias. Em rede, você dá a sua opinião, você discute diretamente. O que é um partido de uma sociedade em rede? Ele é conectado, ele tem que construir o seu posicionamento através das conexões de rede. Enfim, quando a gente usa conexão, a gente está querendo dizer que um governo só vai conseguir criar confiança da população se estiver com ela. A questão pública precisa se conectar para se atualizar.

R7: O seu nome é ligado à questão ambiental. O que o senhor propõe para essa área em São Paulo?

RY: Sobre a sustentabilidade todo mundo fala muito, mas esquece o modo de desenvolvimento com a questão ambiental. A questão da sustentabilidade não é só meio ambiente. É um dos componentes. A sustentabilidade é um novo modo de entender o desenvolvimento. A razão de existir da Rede é colocar a sustentabilidade no coração da discussão política e no planejamento político. Necessariamente, a sustentabilidade convoca as pessoas para um olhar sistêmico.

R7: Os dados sobre as emissões de gases em São Paulo são alarmantes. O que o senhor propõe para controlar isso?

RY: Nós retornaremos com inspeção veicular. Não de forma centralizada, mas criaremos um sistema de controle de emissões por frota para todos os carros que transitarem na cidade. Vamos monitorar a qualidade do ar. Quanto pior o ar estiver, mais frequente ela vai ser. Um dos grandes erros do Haddad foi isso.

R7: O que o senhor acha que dá para manter da gestão Haddad e o que dá para mudar?

RY: Eu acho que o governo Haddad iniciou a implantação do plano municipal de mobilidade que já está prevista no plano federal. Ele andou uma parte. As ciclovias foram importantes? Foram. Mas carecem de integração com os outros modais, precisa de mais sinalização na cidade, mais informação para o motorista. Nós precisamos de ciclovias mais seguras, de itinerários mais claros. Nada disso foi feito. Outra coisa que ele não fez foi incorporar o transporte a pé na política pública. Nossas calçadas são terríveis. Os corredores foram uma boa ideia, mas tem corredores que têm muitas críticas. E virou uma salada esse negócio de Uber. Precisamos compatibilizar os aplicativos com o sistema de táxi. Modernizando o sistema de táxi e regulamentando os aplicativos. O decreto que regulamentou a Uber criou uma concorrência selvagem.

R7: Existe um conflito grande entre especulação imobiliária e defensores do meio ambiente, como o caso do parque Augusta. O que o senhor faria para intermediar esse diálogo?

RY: Durante o meu mandato (como vereador), eu trabalhei muito esse conflito. Uma visão não sustentável é exatamente essa que está aí, na qual as empresas que são donas do terreno acham que cumprindo a lei podem construir o que for se fizerem a compensação ambiental. Temos discutido que toda construção é de interesse público e que temos que discutir os impactos socioambientais. Precisam ser discutidos com todas as partes interessadas. Apoiamos a lei do plebiscito em que, se uma obra tem um impacto muito grande na sociedade, ela tem que ser passível de plebiscito. Mas aprovamos na Câmara e o prefeito vetou. Todos os conflitos vamos trabalhar com a ideia da colaboração. Nós não acreditamos na polaridade. Dá para fazer um parque e, ao mesmo tempo, utilizar esse espaço para moradia? Se dá, como seria isso? E assim por diante. Mas não conseguimos no parque Augusta.

R7: Como o senhor está fazendo para driblar o pouco tempo na TV e a ausência nos debates?

RY: É uma grande perda. Como você desconsidera a Rede? É profundamente injusto e a gente está trabalhando com rodas de conversa, entrevistas nas emissoras, eu estou indo para as universidades. E muita rua e muita mídia social.

R7: A gente percebe que o eleitor está resistente aos padrinhos políticos. Isso explica a ausência da Marina Silva nestas eleições?

RY: Nós estamos percebendo uma resistência das pessoas em relação aos padrinhos políticos em geral e a Marina não está fora disso. Eu não sei se é o cansaço da política, o desgaste que a Marina mesmo teve, ou o desgaste político num geral, ou os próprios posicionamentos que a Rede tem tido que têm sido mais polêmicos. O fato é que, claro, a maioria das pessoas gosta de ver a Marina e me identificam, mas eu sinto que eles preferem mesmo saber o que o candidato está propondo. Eles estão menos interessados no aval dos padrinhos. O que mostra amadurecimento do eleitor.

R7: Caso o senhor não ganhe as eleições, aceitaria um cargo na prefeitura?

RY: Nós somos orientados por programa. Só participaríamos de um governo que tivesse esse compromisso. Obviamente, não precisa adotar o nosso programa. Mas algumas premissas são muito importantes. Por exemplo, a descentralização das decisões, tem a questão da transparência absoluta e nós não participaríamos de um governo que repete essa questão da coalizão. Não somos avessos a participar, mas queremos inovar. Pretendemos avançar muito ainda nessa eleição.

R7: Uma das críticas ao governo Haddad é que ele não dialogou com os movimentos sociais quando o assunto foi o aumento da passagem do transporte público. Como o senhor faria nesse caso?

RY: Um dos grandes problemas do Haddad é que ele nunca dialogou diretamente. É antipático. O prefeito se fecha em copas. Claro que vou dialogar com os movimentos sociais, como eu já dialogo. Nem sempre eu vou poder atender. O Haddad, rapidamente, até porque tem medo de manifestação, foi lá e não aumento o transporte. Tem que fazer o diálogo, mas os movimentos também precisam ver as propostas da prefeitura para construir acordos.

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