Coloquem as boinhas nos braços, meninada! 2016 vem aí

Coloquem as boinhas nos braços, meninada! 2016 vem aí

Papo de Homem

Quando finalmente você pensa que vai ter paz, ela te liga. Um relacionamento conturbado, o melhor que você teve na vida e o que mais quer esquecer, cheio de brigas e sexo intenso, tanto amor e desespero. Acaba o namoro e é treta pra ver quem fica com os livros, briga pra ver quem leva o cachorro, dois remembers na cama que terminam em xingamento, copo quebrado, polícia na porta de casa.

Só eu? Mais ninguém?

Bem. Seguimos.

Depois de um grande amor errado a gente só quer aquela sequência de marasmo, o vento bobo na cara pra entediar, sabe como é? Senhorzinhos varrendo a calçada, alguém atravessando a rua de bicicleta. A serenidade começa a acertar os pulos do coração, o corpo menos retesado. E daí o bolso treme. A pessoa te ligando querendo marcar um encontro, uma cerveja, o retorno ao inferno.

Coloquem as boinhas de braço, crianças. 2016 não tá pra brincadeiras.

Aprendi isso com meus erros. E como errei. No ano passado, minha última crônica rogava um 2015 besuntado em marasmo e quietação, imaginei um ano de ressaca pós copa das copas e eleições das eleições:

Não teremos outro 2014 por muito tempo, pessoal. Afrouxem os cintos, 2015 será um período de marasmo e feriados prolongados. Algo parecido com os primeiros meses do cara que largou a cocaína, o quartinho tranquilo do velho que trabalhou 30 anos na mesma firma, se aposentou, e agora não vê mais sentido na vida. Letargia, inércia, preguiça, chame do que quiser, mas agora vem uma bonança chata a dar com pau.

Mas meus olhos estúpidos não puderam ver nessa névoa de final de ano. Tempos antes eu cantei outra bolinha, a de que as eleições do nosso legislativo nos traria maus momentos:

Este é, afinal, um mundo de homens, um mundo de coronéis e pastores. Homens da lei e de deus que não são eleitos por proporem algo, mas por atrasarem conversas como essas citadas, sob o falso bastião da proteção à propriedade e à família. No final das contas, são homens que atrasam o mundo em vez de fazê-lo avançar.

E em meio a esse medo e trevas, há que se apegar ao tanto de humanidade que se consegue extrair disso. Este é um mundo de homens em um momento biblicamente chauvinista, como tantos outros nesse espiral da história que corre, mas volta ao mesmo ponto de quando em quando.

E esta, amigos, é mais demorada que a de cima. Um mundo conservador e careta nos espera, dias de polícia, congresso, Trump, Le Pen, gente reclamando que funk não é música e vídeos de confusão em motel.

Então fodeu? Certo que não. A molecada esse ano me conforta.

Foto: Marlene Bergamo

Vem, 2016.

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