Juros em alta são obstáculo para compra de carro e imóvel em 2016

Juros em alta são obstáculo para compra de carro e imóvel em 2016

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Preços estão caindo, mas são vantajosos apenas para quem tem condições de pagar à vista e não depender de banco Rafael Belzunces/Framephoto/Estadão Conteúdo

Se você pretende começar 2016 com planos de vender ou comprar um imóvel ou de trocar de carro, precisa saber que o cenário exige muita atenção. A situação econômica do Brasil vai continuar difícil e isso pode prejudicar a maior parte dos negócios.

Os preços dos imóveis subiram em 2015 bem abaixo da inflação, que deverá ser de 10,8%. Segundo o índice Fipe-Zap, que analisa 25 cidades, a variação foi de 0,9%. Ou seja, ficaram mais baratos.

Por outro lado, a taxa de juros para o financiamento imobiliário nos bancos públicos — os mais baratos para esse tipo de empréstimo — subiu. Na Caixa, paga-se hoje entre 9,3% e 11,5% ao ano. As instituições financeiras também passaram a exigir uma entrada maior em alguns casos, como o de imóveis usados.

Para o economista do Cofecon (Conselho Federal de Economia) Luciano D’Agostini, doutor em desenvolvimento econômico pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), 2016 só será um ano bom para aquelas pessoas que têm dinheiro para comprar um imóvel à vista.

— Quem tem dinheiro para pagar à vista terá mais poder de barganha do que em 2015. Mas quem precisar financiar vai encontrar um cenário de juros altos e crédito relativamente mais baixo do que agora.

A taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, que puxa as taxas praticadas pelos bancos, está hoje em 14,25% ao ano. Porém, existe a previsão de que, em 2016, ela possa chegar a 15,25%, encarecendo mais ainda os empréstimos.

Enquanto a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil oferecem juros mais baixos do que esse patamar para quem quer comprar imóvel, os bancos privados costumam cobrar taxas próximas da Selic. Além disso, as análises de crédito estão mais rigorosas.

D’Agostini lembra ainda que, no caso de financiamento, vale optar pelo imóvel novo.

— A taxa de juros do imóvel novo é mais baixa do que do imóvel usado. Mesmo assim, não é aquela taxa atraente.

O ano que vai começar deve ser difícil para quem quer vender um imóvel. O economista do Cofecon destaca que o desemprego deve aumentar, com isso, menos famílias se comprometem com dívidas de longo prazo. As mesmas dificuldades de quem quer comprar um imóvel (juros altos, inflação alta, etc.) atingem indiretamente o vendedor.

Segundo D’Agostini, a diferença entre o preço anunciado de um imóvel e o que as pessoas estão dispostas a pagar chega a 30%. Ou seja, no caso de um apartamento que é ofertado por R$ 1 milhão, o comprador tenta fechar por R$ 700 mil. Na maioria das vezes, os proprietários não aceitam essa diferença enorme e demoram muito mais tempo para vender.

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Carros populares são mais fáceis de ser vendidos Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

Carros

A regra dos imóveis vale também para quem pensa em trocar de carro: fuja dos financiamentos bancários em 2016: os juros podem ultrapassar 30% ao ano, dependendo da instituição financeira.

Caso precise, opte pelos financiamentos dos bancos das montadoras. A taxa mais barata, segundo o Banco Central, é da BMW Financeira (14,54% ao ano). A mais alta é a da Omni Financeira (59,3% ao ano). Comprar carro novo financiado custa menos do que um usado.

Os consórcios também não são um bom negócio, segundo D’Agostini.

— Tecnicamente, no consórcio você também paga mais do que dois carros hoje. É igual ao financiamento. Você paga o carro, a taxa de juros, que vai dar o preço de outro carro, e a depreciação. Só que no consórcio os juros dão lugar à taxa de administração, que é de 17% ao ano.

Quem espera vender o carro em 2016 também precisa se preparar. Apesar de as concessionárias terem comprado muitos veículos em 2015, agora elas estão pagando cerca de 30% menos do que a tabela Fipe, segundo o economista. Faz negócio com mais facilidade quem tem um automóvel popular.

— Os carros populares ainda são carros bons de vender nas concessionárias. Mas os carros de maior valor agregado, acima de R$ 40 mil, R$ 60 mil, são mais difíceis e as concessionárias pagam muito menos.

Seja carro ou imóvel, a dica para 2016 é para evitar dívidas que possam comprometer demais o orçamento familiar. O peso dos juros em um cenário com inflação alta é um dos principais ingredientes para a inadimplência.

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