"A vida é normal", afirma mãe de dois meninos com microcefalia no DF

"A vida é normal", afirma mãe de dois meninos com microcefalia no DF

R7
Família hoje já tem oito membros e a casa é uma verdadeira festa Arquivo Pessoal

Dois dos seis filhos da moradora de Ceilândia (DF) Adaiane Ramos, de 34 anos, foram diagnosticados com microcefalia. A mãe conta que os meninos são tratados normalmente em casa e que a doença deve ser esclarecida para quem pensa que as pessoas com microcefalia são totalmente dependentes.

— A população precisa saber que a microcefalia apresenta diferentes sequelas. A maioria delas podem ser tratadas normalmente. Me coloco no lugar de uma mãe que tem o filho diagnosticado com microcefalia hoje e fico com pena. Precisamos esclarecer!

Matheus tem 11 anos é o segundo dos seis filhos de Adaiane. João Paulo tem quatro anos e é o quarto filho. Os dois foram diagnosticados com microcefalia, a doença que está na boca do povo, mas que ainda é desconhecida até por alguns profissionais de saúde.

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Adaiane conta que no caso de Matheus, a microcefalia só foi detectada quando o menino completou quatro meses de vida. Ele nasceu prematuro, no sexto mês de gravidez, e com apenas 970g. Os médicos disseram que houve uma malformação fetal.

O diagnóstico de João Paulo foi diferente. Com experiência no assunto, a própria mãe alertou o médico sobre a possibilidade do bebê ter microcefalia quando foi constatado que ele era menor que o normal.

— Eu estava fazendo o ultrassom (exame de imagem para examinar o bebê ainda na barriga da mãe) no HMIB (Hospital Materno Infantil de Brasília) quando o médico disse que o João Pedro estava bem, mas era muito pequeno. Então eu disse para ele que já tinha um filho com microcefalia, já conhecia o procedimento e precisava que examinassem melhor o bebê.

Devido à microcefalia, Matheus é deficiente auditivo e não fala. João Paulo possui uma pequena dificuldade na audição e tem um olho menor que o outro, o que acarreta em uma problemas na visão.

A microcefalia é acarretada por uma malformação do cérebro do bebê, que não se desenvolve de maneira adequada no momento da gestação. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm.

Matheus, hoje com 11 anos, nos braços do pai, Gleydson Ramos, logo após o nascimento Arquivo Pessoal

Dia a dia

A casa da família de Adaiane é uma verdadeira festa. São seis crianças que brincam, conversam, choram e até ajudam a mãe nas tarefas de casa. A mãe conta que Matheus é um dos filhos que mais auxilia no serviço doméstico.

— O Matheus lava banheiro, passa pano na casa e limpa os móveis como ninguém. Tudo isso para me ajudar, poder jogar no computador e brincar de bola com os amigos.

Adaiane reforça que a vida dos filhos com microcefelia é normal. A única diferença são as dificuldades de ouvir, falar e de enxergar, e os problemas na escola, já que eles não conseguem acompanhar a série das outras crianças. Eles são acompanhados por médicos neurologistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas.

O relato da mãe mostra o outro lado das informações divulgadas nos últimos dois meses a respeito da microcefalia. Está sendo investigada a possibilidade da deficiência aparecer nos bebês filhos de mães com zika vírus, doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypt.

Vale ressaltar que, de acordo com o Ministério da Saúde, os dados atuais não permitem correlacionar inequivocamente, de forma causal, a infecção pelo Zika com a microcefalia.

— O terrorismo não ajuda em nada as mães que estão sendo informadas que os filhos têm microcefalia. E ainda atrapalha a convivência das crianças que já possuem a deficiência, como meus filhos. Não podemos aumentar o preconceito das pessoas com a microcefalia.

Em 2015, foram notificados 2.782 casos suspeitos de microcefalia no Brasil. Pernambuco foi o estado com o maior número de diagnósticos, 1.031. Os dados assustaram as autoridades porque durante todo o ano de 2014, apenas 147 casos foram detectados.

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