Mais problemas à vista para o programa espacial brasileiro

Mais problemas à vista para o programa espacial brasileiro

Revista Galileu

Não há como negar: o Brasil está bem atrasado na corrida espacial. Apesar de ter entrado nesta ao mesmo tempo que a Índia e a China, em 1961, o programa espacial brasileiro acabou ficando para trás. Enquanto os dois países, juntos, investiram cerca de US$ 4 bilhões na causa, o orçamento da Agência Espacial Brasileira, que era de US$ 122 milhões, recebeu um corte de 14%.

Os gastos seguem sendo um problema: em julho deste ano, a presidente Dilma Rousseff cancelou um acordo de 11 anos com a Ucrânia para utilizar o Centro de Lançamento de Alcântara para realizar lançamentos do foguete ucraniano Cyclone-4. Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que o Projeto Cyclone, além de estar atrasado, se tornou caro demais. Outro motivo foi o receio de que a Ucrânia não cumpriria sua parte do acordo por sua indústria espacial estar localizada perto de Donetsk, região controlada por separatistas.

O Brasil já tem um histórico problemático no que diz respeito à diplomacia espacial. Na década de 80, o país ajudou o Iraque a dobrar sua reserva de mísseis, fato que não só deixou o governo estadunidense furioso, como fez com que este convencesse outros países, como França e Alemanha, a não compartilhar tecnologias relacionadas a foguetes com os brasileiros.

Em 2000, o então presidente Fernando Henrique Cardoso deu início a um acordo no qual o Brasil protegeria a tecnologia estadunidense, mas o Congresso não aprovou a medida. Seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, então, fechou um acordo com os ucranianos em 2003.

Enquanto os Estados Unidos não demonstram interesse em coperar com o Brasil, a Rússia e a França atualmente estão de olho no Centro de Lançamento de Alcântara, que usa a velocidade de rotação da Terra e o impulso para lançamentos, exigindo menos combustível para entrar em órbita. O Centro também fica em uma região de clima estável, o que permite que lançamentos sejam realizados o ano todo.

Mesmo antes do anúncio dos cortes de orçamento, o governo brasileiro planejava designar R$ 9 bilhões para atividades relacionadas ao espaço entre 2012 e 2021. Para ter uma base de comparação, a Índia já investiu a mesma quantia nos últimos três anos – e a sua missão para Marte custou quase a metade do que Hollywood gastou para fazer “Interestelar”.

Via The Economist

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