Na crise de Dilma, Cunha e o Congresso precisam ser investigados

Na crise de Dilma, Cunha e o Congresso precisam ser investigados

Brasil Post - Blog

No meu artigo anterior neste Brasil Post, eu fui criticado por não lembrar que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, goza de foro privilegiado e só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal para ser preso na operação Lava Jato, como José Dirceu foi. De fato, a situação de Cunha o diferencia, mas isso em nada afasta o fato de que ambos foram acusados pelo mesmo delator: Júlio Camargo, o ex-consultor da Toyo Setal.

Frequentemente os jornalistas que criticam Eduardo Cunha são acusados indevidamente de serem "petistas", "esquerdistas" ou "coniventes com o governo Dilma". A informação não é só falsa, como também é incompleta. É fato que a esquerda e a base do Executivo na Câmara possuem críticas pesadas contra Cunha. Mas isso não apaga a péssima reputação do congressista com a imprensa.

Eduardo Cunha já abriu queixa-crime contra jornalistas como Ricardo Noblat (O Globo), Luis Nassif (GGN), Jorge Bastos Moreno (O Globo) e muitos outros, somando pelo menos 50 processos contra comunicadores no Brasil. A truculência do congressista não se resume na Justiça, chegando a chamar o colunista Lauro Jardim (Veja) de "moleque" por publicar denúncias e bastidores do presidente da Câmara.

Na crise do governo Dilma Rousseff, diferente do que a mídia afirma genericamente, é importante sim apurar possíveis irregularidades de Cunha.

Em 2005, no auge do escândalo do mensalão, as irregularidades apontadas foi uma suposta "compra de votos" para obtenção de apoio do PT no Congresso.

Na Lava Jato, o Poder Legislativo, representado também pela Câmara dos Deputados chefiada por Eduardo Cunha, voltou ao foco dos escândalos de corrupção. Cunha, no entanto, afirmou ao programa Roda Viva que os supostos crimes vem do Poder Executivo, do Palácio do Planalto. Disse a mesma coisa para a revista Veja e para o jornalista Mario Sergio Conti, da GloboNews.

Eduardo Cunha joga para a torcida. Como a presidente Dilma é apontada como uma das ex-conselheiras da Petrobras na compra fraudulenta da refinaria de Pasadena, é mais fácil armar contra ela. Mesmo sem nenhum delator falando em favorecimento financeiro da chefe de Estado, Cunha facilmente emplaca o argumento da leniência na presidente.

E sai como herói "independente" do Congresso.

Não são poucos que estão criticando Eduardo Cunha. A esquerda em bloco denuncia o presidente da Câmara porque ele coleciona acusações desde a época do impeachment de Fernando Collor. Ele foi réu junto com o tesoureiro PC Farias.

O colunista da Veja, Lauro Jardim, denuncia frequentemente as atividades de lobby de Cunha, que precisam ser apuradas se são legais ou ilegais. Embora a revista em geral não ataque diretamente o congressista, essas informações precisam ser levantadas.

Por fim, o insuspeito jornal O Globo, que critica pesadamente Dilma Rousseff, publicou um editorial revelador no dia 7 de agosto deste ano. "Mesmo o mais ingênuo baixo-clero entende que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, age de forma assumida como oposição ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava Jato".

A publicação, que representa a família Marinho, dona do mais poderoso grupo de comunicação do Brasil, diz que Cunha entrou "numa guerra particular com Dilma e o PT". Como se pretende solucionar crimes de corrupção ao ocultar irregularidades de um político que quer ir ao confronto com a presidência?

Eduardo Cunha merece e deve ser investigado, justamente por constar na lista da Procuradoria-Geral da República e por conspirar contra o governo, promovendo instabilidade. O debate maduro de política no Brasil será mais forte quando deixarmos de lado o discurso raso do impeachment e ir a fundo na corrupção de cada deputado e de cada parlamentar que tenta se camuflar em falsas disputas ideológicas.

Querer repetir com Dilma Rousseff o que ocorreu com Fernando Collor, meramente por repetir, pode ser a oportunidade perfeita para se ignorar uma apuração séria das irregularidades de Cunha.

O "baixo clero" precisa ser tão investigado quanto as demais camadas da política.

No meio do tumulto presidencial, e econômico, do país, se beneficiam aqueles que querem imputar ao Planalto crimes que o governo não cometeu.

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