Eles querem ser malucos de carteirinha

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Por Ariane Assunção, 18 anos, do centro de SP

Piauí Ecologia vendia petecas e um cajado de madeira com durepox, feitos por ele, na avenida mais simbólica de São Paulo, a Paulista. Usava uma boina que escondia seus dreads, calça jeans, moleton e tênis. Tanto do lado direito como esquerdo, uma série de outros malucos vendiam artesanatos em seus panos.

Eu abordei esse cara pra perguntar como é ser hippie - eu queria saber, sugeri a pauta, fui.

Descobri que sim, ele se considera nômade e viajou por todos os estados do Brasil nos últimos 35 anos (começou aos 15). Só que ele também tem família, casa, e em agosto vai até Brasília, com outros malucos, pedir para ser reconhecido como Maluco de Estrada.

Mas como assim, ser reconhecido? O cara não é hippie?

Na verdade, eles se consideram Malucos de Estrada, uma galera que não tem lugar fixo e que afirma ganhar a vida da arte, sem pedir esmola nem vender pirataria. Só que para vender artesanatos nas ruas sem ter as mercadorias apreendidas pela fiscalização, é preciso ter uma licença de trabalho, uma carteirinha que permita isso.

Em busca do papel que os permita ser malucos, Piauí e outros que chamaríamos de hippies vão pra estrada nessa viagem da burocracia - bem diferente do que costumam fazer.

Eles têm uma reunião agendada pra agosto na secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, no Ministério da Cultura, quando vão pedir o reconhecimento do artesanato dos Malucos de Estrada.

"Tudo que nós quer é poder sentar na rua e vender nosso artesanato porque a gente é da paz."

O movimento pela legalização dos malucos ganhou até um filme. O documentário Malucos de Estrada, do diretor e amigo de Piauí, Rafael Lage, narra a história de vários artistas de ruas, seus problemas com a fiscalização e a luta para serem reconhecidos. Pode ser assistido nesse link .

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Com 50 anos de idade e 35 de estrada, Piauí saiu de Picos, no estado que deu origem ao seu apelido, porque sonhava conhecer o Brasil e a América do Sul. Depois de viagens únicas e inesquecíveis, escolheu São Paulo, a cidade em que mais gosta de andar, pra morar.

Esse nômade se enraizou na avenida Paulista, onde vende artesanato desde 1991 e sente que cria relações com quem passa. E Piauí também se estabilizou no casamento. Em SP conheceu a sua esposa, casou em 1994 e teve duas filhas (uma de 20 anos e a outra, 18).

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