"Escola do Tráfico" de Ceilândia convida igreja para pedir paz no local

"Escola do Tráfico" de Ceilândia convida igreja para pedir paz no local

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Escola precisou da ajuda da PM para enfrentar o tráfico de drogas em Ceilândia (DF) Reprodução / TV Record Brasília

Após meses de tensão e até aulas suspensas por conta da ação de traficantes de drogas, dentro e fora do CEF 4 (Centro de Ensino Fundamental 4) da Ceilândia Sul (DF), a direção da escola pediu ajuda da Secretaria de Educação do Distrito Federal e também da igreja. Na manhã desta sexta-feira (7), um bispo foi ao colégio para se encontrar com alunos, pais e educadores.

A visita durou cerca de 10 minutos, contou com a presença de várias pessoas da comunidade da QNM 21/23 de Ceilândia Sul e, depois das palavras do religioso, os alunos foram liberados mais cedo do turno letivo. A coordenadora pedagógica do CEF 4 Alícia Almeida Cabral conta que o encontro foi importante para trazer paz ao local, mas que o principal reforço para a segurança foi a contratação de um vigilante, pois a escola não contava com nenhum até a última segunda-feira (3).

— A Secretaria disponibilizou um segurança armado para o colégio desde a volta às aulas, e por isso pudemos dispensar a presença da Polícia Militar, que ficou com a gente até o fim do período de férias. A situação aqui melhorou muito. Antes o tráfico era escancarado, e tínhamos que pedir licença aos traficantes para entrar na escola, mas agora não temos sequer relatos de violência.

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Pais de alunos ouvidos pela reportagem do R7 DF confirmam que, nesta primeira semana de aulas em agosto, o cenário dentro e fora do CEF 4, que hoje conta com cerca de 800 alunos, se tornou menos perigoso após a chegada do vigilante José Lins. Ele não quis dar entrevista, mas afirmou rapidamente que não presenciou nenhum ato de violência ou tráfico explícito de drogas nas imediações do colégio.

No entanto, os estudantes do CEF 4 relatam que, embora os traficantes não façam mais ameaças diretas aos diretores, o uso de drogas dentro da escola ainda continua. Eles contam que nos corredores do pátio, em banheiros e até em salas de aula, alguns jovens consomem entorpecentes como maconha e lança-perfumes. A coordenadora Alícia afirma que a direção ainda não tomou conhecimento destas denúncias, e que fiscaliza o a escola constantemente.

— Nós temos câmeras de segurança que vigiam a escola, além da presença dos coordenadores pedagógicos que, por enquanto, não registraram mais casos de alunos usando drogas dentro do CEF 4. Hoje, a situação é bem mais tranquila porque, há alguns meses, tínhamos mais flagrantes, principalmente na entrada da escola.

Alícia se referiu a um caso que aconteceu no CEF 4 em maio deste ano, quando um traficante da região entrou montado a cavalo em um colégio para cobrar uma dívida de um aluno por R$ 30. Por conta do ataque, as atividades letivas foram suspensas, mas segundo a coordenação, as aulas perdidas já foram repostas ao longo do ano.

Polícia monitora ação de traficantes

A entrevista concedida pela coordenação do CEF 4 ao R7 oi feita do lado de fora da escola, de onde um trio de pessoas vigiava a conversa durante a presença da reportagem no local. Eles estavam ao lado de uma quadra vizinha ao colégio onde, segundo os alunos, os traficantes continuam presentes. Por conta disso, a Polícia Militar continua presente no local com rondas diárias.

De acordo com o comandante do Batalhão Escolar da PM, tenente-coronel Júlio César, ainda são registradas algumas ocorrências na área de atuação próxima ao Centro de Ensino Fundamental 4 de Ceilândia, mas o policiamento fixo e o apoio do vigilante recentemente contratado pela Secretaria de fato colaboraram para frear as ações dos traficantes.

— Tivemos algumas ocorrências, não só no CEF 4, mas também no 7 e no 33. Sabemos que fora do nosso perímetro de atuação existem indivíduos que afetam diretamente a escola. Mas em todos estes colégios, aumentamos nossa presença. Ficamos um bom tempo lá no 4, onde o cidadão entrou a cavalo. Fizemos alguns trabalhos que com certeza melhoraram a situação do colégio, como palestras aos alunos e policiamento fixo, e tivemos efeitos positivos.

Depois da invasão do traficante a cavalo, a direção da escola cedeu uma sala para a presença constante do comandante da companhia em Ceilândia. Segundo o coronel Júlio César, depois da patrulha e da conversa com pais, alunos e professores, eles deixaram a sala após a chegada da segurança própria da escola, mas continuam vigilantes com rondas que, segundo o relato dos pais dos alunos, têm sido mais ostensivas na região.

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