Curitiba é a capital da cena beatmaker brasileira

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Não é o caso de buscar explicação, simplesmente calhou de ser assim. Logo que começou a se desenhar a cena beatmaker brasileira, resultante do acesso a computadores pessoais e versões gratuitas de softwares como o Fruity Loops (que hoje é oficialmente de FL Studio) às mãos de aficionados musicais, uma nova geração de ávidos produtores curitibanos começou a pintar. Desde então, novos talentos surgem constantemente na cidade, e continuam a impressionar. O impulso inicial foi no começo dos anos 2000. Os aspirantes a beatmakers locais haviam sido impactados por feitos como o álbum Eu Tiro É Onda (1998), do Operação Diamante (1999) , com o DJ Som 3 e o MC Frank Ejara. Só o pessoal que sacava do underground chegou a ouvir. Mas embora o DJ Som 3 tenha sido um beatmaker que os leigos até confundiriam com Pete Rock, os artistas sacavam quem era o cara. Ele e o Nuts foram criadores muito importantes na época.

Debaixo destas influências e explorando os programas de áudio, emergiu o primeiro grande destaque do que Curitiba se tornaria atualmente, referência na produção de beats no Brasil. Falo do produtor Nave, egresso do grupo de rap Savage. Na época, em 2001, ele já fazia beats no Fruity Loops, os quais serviam de base para as rimas do grupo. “Foi assim que desenvolvi melhor esse lance da produção”, conta ele.

“Em 2004 lançamos a primeira fita k7, e essa fita acabou caindo na mão do D2 e aí eu comecei a trabalhar com ele — foi tudo muito rápido. Assim que minha vida de beatmaker e aspirante a produtor começou.” Segundo o Nave, “era muito difícil ter o acesso a MPC, e o Fruit Loops quando apareceu te dava opções absurdas pra construir uma música e até samplear, como é até hoje, FL Studio, Ableton Live...”.

Nave e Laudz. Foto: Henrique Thoms/VICE

Antes da galera poder contar com tais ferramentas, nomes como Max de Castro usavam MPC, mas também alguns programas antecessores ao Pro Tools, nos anos 90. E havia aqueles que preferiam pegar um trecho de batida ou samples de outras músicas. “O beatmaking é uma coisa bem do começo dos anos 2000. Tem esse pessoal, o mumble rap . O Kamau sempre falou uma parada de Curitiba: que deve ter alguma coisa mágica na água da cidade pra sair tanto beatmaker embaçado. É um bagulho já lendário aqui.”

A DJ Gabriela Clemente, atração recente da INVDRS no James. Foto: Henrique Thoms/VICE
Vista da cabine para a pista durante edição da INVDRS. Foto: Henrique Thoms/VICE
INVDRS. Foto: Henrique Thoms/VICE
sunson mandando uns beats. Foto: Henrique Thoms/VICE

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