Pessoas revelam a coisa mais bêbada que já fizeram num avião

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Esta matéria foi originalmente publicada na VICE UK .

Apesar de ser o oposto de um bom ambiente para beber — luzes fortes, lotado, monitorado de perto por uma equipe de segurança — as pessoas adoram encher a cara em aeroportos e aviões. Talvez seja uma tentativa de tornar o horror de sentar numa mochila na frente de um duty free suportável, ou apenas uma maneira de aliviar o trauma existencial de estar preso a um grande cano de metal no céu. Seja lá por qual razão, gente bêbada em aviões é um fenômeno tão comum em viagens aéreas quanto em os vídeos de segurança.

Mas quando a coisa passa dos limites? Recentemente, uma investigação do Panorama para a BBC abriu a caixa de Pandora dos vexames etílicos em aviões, incluindo uma estatística dramática de que o número de passageiros presos por ofensas de embriaguez em aeroportos do Reino Unidos e em voos aumento 50% este ano. Tenho certeza que a pior coisa que já fiz bêbado num avião foi ouvir Hot Fuss três vezes seguidas, mas já vi pior. Discussões feias num voo às 8 da manhã para Ibiza, ginástica no corredor de um 747, um senhor de meia idade se acariciando pesadamente num voo da meia-noite para Nova York. Os céus não têm lei, a coisa é selvagem aqui no alto, a lata de breja custa R$ 20 e as companhias aéreas aceitam cartão de crédito.

Com isso em mente, algumas pessoas nos contaram suas melhores (ou piores) histórias de encher o tubo em aviões.

Martin, 27 anos

Eu estava voando para Austin, Texas, com um amigo. O plano era passar alguns dias no SXSW e depois, como a ex-mulher dele é mexicana, ir de carro para Juárez fazer uma visita. Passamos com um pouco de cocaína pela segurança, tomamos uma garrafa de champanhe no Wetherspoons no aeroporto e compramos uma garrafa de uísque para tomar no avião. Então, claro, quando decolamos já estávamos um pouco excitados demais e decidimos cheirar. No avião estávamos sentados ao lado de um piloto de folga, que estava voltando para casa para visitar a família. Esse é um detalhe que se torna importante depois.

Conhecemos uns irlandeses que tinham sacos de pílulas farmacêuticas e começamos a conversa. Achamos que se oferecêssemos algumas carreiras, eles nos dariam umas pílulas e poderíamos dormir o resto do voo. Convenientemente, eles estavam sentados perto do banheiro, então depois de cheirarem, nos ofereceram algumas pílulas. Acontece que as pílulas eram de quaalude sintético. Eles avisaram que elas eram bem fortes e sugeriram tomar só metade. Nós, claro, engolimos nossos comprimidos inteiros, e voltamos para os nossos assentos.

Só lembro de que me ajeitei para dormir. Quando acordei, o avião estava pousando e tinha um anúncio dizendo que haveria um atraso enquanto algumas pessoas eram escoltadas para fora do avião. Olhamos um para o outro e rimos, pensando que os irlandeses tinham exagerado. Aí notamos que o piloto de folga não estava mais na poltrona dele e que a polícia estava vindo na nossa direção. Fomos escoltados para fora do avião. Mas não foi tão ruim assim – tivemos que pedir desculpas e fiquei com medo de não conseguir pegar o voo de volta –, mas não teve drama. Na verdade, foi até bom, porque pudemos passar na frente da fila para pegar a bagagem. Passamos pelos seguranças e encontramos os amigos que estavam nos esperando, que tinham um canhão de confete, o que não ajudou muito com o sentimento intenso de desespero.

Uns dois anos atrás, encontrei um amigo que estava na primeira classe daquele voo. Aparentemente fomos até a frente do avião, quebramos uma cama da primeira classe pulando nela, e uma comissária de bordo nos mostrou como fumar cigarro sem ser pego. Foi bom preencher algumas das lacunas.

Tom, 23 anos

Eu estava num voo para a Espanha. Eu tinha bebido um pouco, mas depois caí no sono, então estava meio grogue quando acordei e decidi ir ao banheiro. Quando fui lavar as mãos, comecei a apertar o botão que achava que liberava o sabão. O aviso parecia um homem colocando as mãos para pegar sabonete líquido. Eu tinha certeza. Pressionei algumas vezes, mas não saiu nada. Então apertei de novo, e de novo. No meu estado meio bêbado, aquilo realmente me irritou, então continuei socando o botão tentando entender por onde o sabão saía. Eu conseguia ouvir a campainha que toca quando alguém pede ajuda do lado de fora, mas não me liguei o que isso significava. Aí começaram a bater na porta. Achei que era só alguém querendo usar o banheiro, então tentei ignorar, mas as batidas ficaram mais e mais altas, até que um comissário arrombou a porta. Lá fora, quatro comissários estavam entrando em pânico, perguntando se estava tudo bem, o avião inteiro estava olhando para mim. Eu estava martelando o botão de emergência, várias vezes.

Sarah, 27 anos

Não bebo muito em aviões – sou peso-pena em qualquer circunstância e não gosto de passar pela imigração bêbada (eles sempre me param porque tenho um sobrenome engraçado). Mas fiz uma exceção alguns anos atrás num voo longo e tomei duas garrafinhas de gim-tônica – elas eram muito bonitinhas. Fique bêbada. Agora sei que a situação do oxigênio nos aviões é o que te faz ficar bêbado mais rápido – pelo menos é nisso que vou colocar a culpa. Isso também desencadeou minha primeira experiência de ficar superemotiva num voo, eu não sabia que chorar em aviões era um fenômeno conhecido.

Tudo isso bateu quando eu estava assistindo Sex and the City 2, que não é só um dos piores filmes da história do ponto de vista técnico, mas provavelmente o mais ofensivo – fora os trechos de O Nascimento de uma Nação que passam nas aulas de história. Tem várias piadas com burcas e aquele momento clássico onde a Samantha joga camisinhas numa multidão em Abu Dhabi, gritando algo como "SIM, EU TRANSO, E DAÍ?!?!", que eu acho que deveria significar que ela era uma mulher ocidental empoderada (CARALHO, GENTE, ISSO FOI EM 2010). Chorei muito em vários pontos do filme, particularmente quando a Carrie finalmente ganha seu anel de casamento do Mr. Big. O cara do meu lado se levantou e foi ao banheiro nesse ponto. Acho que ele queria me dar um momento a sós.

Imagem via usuário do Flickr Petrr .


Jonny, 31 anos

Imagine que você peida numa sala. Imediatamente uma luz se acende embaixo da sua cadeira, indicando sem sombra de dúvida que foi você mesmo. O peido é tão horrível que todo mundo em volta não consegue pensar direito ou relaxar. O cheiro continua no ar, na verdade ficando mais forte com o tempo. Agora imagine que a sala está trancada e só vai se abrir daqui a 11 horas. Finalmente, imagine que essa sala está voando a 10 mil metros de altura. É mais ou menos assim que você se sente quando seu bebê chora por um longo período de tempo num avião. O cansaço e o desconforto físico não são nada comparados com a vergonha. Você quase consegue tocar a suspeita entre os passageiros de que o problema é sua falta de habilidade básica como pai.

Por essa razão, eu estava mais que pronto para administrar um sedativo leve para nossos dois filhos no começo da nossa (infelizmente inevitável) viagem de família para a África do Sul. Isso não me torna uma pessoa ruim, apenas prática. Minha sogra, por outro lado, discordou. Ela via isso como uma afronta ao estoicismo com que os pais e a comunidade em geral devem sofrer com os berros de crianças. Toda vez que eu tentava dar o remédio, ela intervia. Ela não tinha outro argumento a não ser "Não, você não deveria fazer isso".

Então me sentei de volta e suspirei — os dois bebês continuavam chorando. Depois que uma comissária simpática e heroica me passou discretamente duas garrafinhas de Johnny Walkers, me veio a solução. Foi com grande prazer, e algumas manobras atrapalhadas no banheiro, que enganei a avó dos meus filhos para drogá-los — foi a minha sogra quem deu as mamadeiras.

Drew, 24 anos

Eu estava viajando para a Grécia sozinho, e fico muito nervoso em aviões. Sentei ao lado de um jovem casal simpático que tinha um bebê muito novo, que eles decidiram colocar do meu lado por alguma razão. Bebi tanto para acalmar meus nervos que tive que correr para o banheiro vomitar antes da decolagem. Duas horas depois, eu estava destruído, mas o bebê continuava jogando coisas do meu lado então eu tinha que interagir com ele, o que estava me estressando, porque não sei lidar direito com crianças. Então continuei bebendo na esperança de relaxar e ser um bom amigo para essa família de estranhos.

Balbuciei pedindo outro drinque para a comissária, servi no meu copo, e fui pegar alguma coisa na minha bolsa – com a mesa ainda abaixada. Acabei batendo no copo e o derramando no bebê. Ele ficou ensopado de cidra. Não caiu nada em mim. O resto da família, que estava sentada em outras poltronas, veio e começou a dizer "O que aconteceu?" e "Acho que você já bebeu demais, camarada..." O bebê não parava de chorar, então eles ficaram passando ele de colo em colo pelos outros familiares no avião. E eu fiquei sentado lá, incapaz de sequer me desculpar, congelado de vergonha. Foi horrível.

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