Amanhã não teremos uma mas DUAS sondas chegando em Marte!

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Foi um belo susto, depois de 7 meses de viagem, a meros 6 milhões de quilômetros de Marte, o módulo orbital TGO da missão ExoMars parou de se comunicar com a Terra. Imediatamente suspeitou-se de algum dano causado durante o lançamento, quando o módulo-cargueiro russo BRIZ explodiu a 10 km da ExoMars.

Analisando os dados, os cientistas viram que a falha de comunicação aconteceu logo após a manobra de separação do módulo de pouso Schiaparelli. O mecanismo é incrivelmente lowtech: três molas, posicionadas em ângulo e acionadas por um mecanismo que corta os cabos de retenção. Essas molas geram uma força que afasta o módulo da nave a uma velocidade de 0,3 m/s e por causa da inclinação, geram uma velocidade de rotação de 2,75 RPM.

Graças a Newton uma força igual em sentido oposto foi aplicada ao módulo orbital, a EXO_TGO (ExoMars Trace Gas Orbiter) mas em teoria deveria ser anulada em grande parte pelos mecanismos amortecedores.

Perdendo o alinhamento com a Terra, a sonda girou até os mecanismos de manobra identificarem as constelações corretas, calculassem o alinhamento e reposicionassem a antena principal. Nesse momento (ok 9 minutos depois) os 3 picos reconfortantes da portadora do sinal apareceram:

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Mas SÓ os sinais da portadora. Nada de telemetria. A EXO_TGO estava viva mas em coma. A separação foi mais violenta do que o planejado e por precaução o computador colocou a sonda em Modo de Segurança. Só que em 12 horas ela teria que realizar uma manobra de 1 min 46 s para um Δv de 11,6 m/s.

Por sorte antes do prazo acabar, o computador reiniciou, rodou o Windows Update, desinstalou o Baidu, atualizou o Steam e reestabeleceu contato com a Terra. Tudo bem, tudo nominal, tudo nos trinques.

A manobra foi realizada com perfeição e está tudo no esquema para o Grande Dia, que só não será melhor por falta de dinheiro e excesso de burocracia.

O projeto ExoMars, da Agência Espacial Européia era originalmente uma colaboração com a NASA, mas a falta de verba fez com que os americanos pulassem fora. Os russos entraram, colaborando com os lançamentos e com um futuro robô.

Cancelamentos e alterações desde 2009, parceiros saindo e entrando, orçamentos encolhendo e depois sendo obrigados a crescer sob pena de perderem o projeto todo culminaram com o adiamento da missão de 2018 pra 2020, mas isso não é nem o pior.

O modelo de desenvolvimento segue o estilo NASA: paciência, muito tempo, testa, avalia, reprojeta, testa mais um pouquinho… por isso o módulo de pouso que chegará em Marte amanhã não faz quase nada. Ele é um equipamento de teste e demonstração de tecnologia. Querem validar o hardware e então usar isso para construir o módulo de verdade pra 2020.

O Schiaparelli (nome do módulo) no momento tem 600 kg, incluindo paraquedas, escudo de calor e outras estruturas. Ele pousará com 3 conjuntos de foguetes E uma base deformável para absorver a energia da porrada. Só que você não verá isso.

Projetado em uma época onde astrônomos não ligavam muito para opinião pública, divulgação, essas coisas, o Schiaparelli só tem uma câmera, a DECA, de Descent Camera, mas ela não é nada decente (eu sei!):

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Com 9 × 6 × 6 cm a DECA é uma sobressalente de uma câmera auxiliar que voou no telescópio espacial Herschel. Tem resolução de 512 × 512 pixels e fará 15 imagens durante a descida. Em preto e branco. Depois disso nada, pois fica na borda do Schiaparelli apontando pro chão.

Não que faça diferença. Os sensores do Schiaparelli, que medirão eletricidade atmosférica, pressão, umidade, vento, temperatura e presença e identidade de tempestades de areia só funcionarão por alguns dias, entre 2 e 8 para ser impreciso.

Motivo: burocracia.

Em uma situação de fazer inveja aos Vogons, o Schiaparelli deveria usar um gerador termonuclear de radioisótopos, como a Curiosity. Iria funcionar pelo menos um ano como estação meteorológica.

Os russos iriam prover o equipamento, aí aos 42 do segundo tempo a italiana Thales Alenia Space descobriu que o gerador não poderia ser enviado para Nápoles. A legislação russa proibia a exportação desse tipo de equipamento.

Assim o módulo teria que ser projetado, testado e certificado sem a presença física do gerador, que só seria instalado na montagem para o lançamento, na Rússia, ou mais precisamente no Paquistão.


European Space Agency, ESA — ExoMars: From separation to landing

Isso claro era receita pra desastre. Os europeus disseram “obrigado por nada, Ivan” enfiaram baterias comuns, e o Schiaparelli depois que se separou da EXO_TGO só tem alguns dias de carga.

Ou seja: por causa de burocracia um equipamento que deveria funcionar por um ano vai funcionar por oito dias. Alguma dúvida de que Elon Musk chegará em Marte antes desses projetos de governos?

A chegada da EXO_TGO e do Schiaparelli será ao mesmo tempo mais ou menos, os eventos serão acompanhados via streaming com links no site da Agência Espacial Européia, começando às 10:00 AM, horário de Brasília.

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